Coalizão começa a aplicar ''zona de exclusão terrestre'' na Líbia

Bombardeios tentam acabar com cerco de tanques e artilharia de Kadafi a cidades rebeldes

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2011 | 00h00

BENGHAZI - A intervenção das forças da coalizão entrou em nova fase. Uma vez neutralizados os aviões, baterias antiaéreas e sistemas de radar do regime de Muamar Kadafi, a operação evoluiu de zona de exclusão aérea para zona de exclusão terrestre. Os bombardeios concentram-se em desfazer o cerco de tanques e de baterias de foguetes do regime em torno das cidades controladas pelos rebeldes e em cortar as linhas de suprimento das forças leais a Kadafi.

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No primeiro incidente do gênero, caças franceses destruíram ontem um pequeno avião líbio que havia violado a zona de exclusão aérea perto de Misrata, a terceira cidade do país, com 450 mil habitantes. Enquanto continuavam disparando mísseis contra alvos militares em Trípoli, os aliados estenderam as operações para os arredores de Misrata e também para as cidades que dão acesso a Zintan, 120 km ao sul da capital, e Ajdabiya, 160 km a oeste de Benghazi, a "capital rebelde". Essas são as três cidades mais castigadas pela artilharia de Kadafi, que as deixou semidestruídas, sem água e eletricidade. Até hospitais foram alvejados. Moradores de Misrata disseram ontem que os tanques e foguetes tinham parado de atacar a cidade, mas franco-atiradores continuavam atuando.

 

Aparentemente, os bombardeios das forças da coalizão serviram de cobertura para os combatentes rebeldes. O coronel-aviador Ahmed Omar Bani, novo porta-voz do comando militar rebelde, afirmou que 22 dos 39 tanques que cercavam Misrata foram destruídos com granadas propelidas por foguetes.

 

Reafirmando que os rebeldes rejeitam a presença de tropas estrangeiras, ele pediu às potências aliadas que lhes forneçam armas. O Estado perguntou ao coronel que tipo de armamento encabeçava sua lista. "Estamos enfrentando tanques (russos) T-72 e T-92", então precisamos de artilharia contra esse tipo de tanques."

Bani disse que Zintan, de 50 mil habitantes, foi completamente cercada pelas kataeb, as brigadas de elite do regime. "Eles nos atacaram pelo lado que pensaram ser o mais vulnerável, mas os derrotamos e os fizemos recuar 39 km." O porta-voz - o primeiro oficial da ativa a falar em nome dos militares rebeldes - acrescentou que 120 soldados e mercenários foram mortos e 50 presos. Do lado rebelde, seis foram mortos e oito gravemente feridos. Quatro tanques foram destruídos e outros três capturados, assim como dois caminhões com baterias de foguetes, um de transporte de tropas e quatro caminhonetes Land Cruiser com peças de artilharia de 14,5 mm montadas sobre as carrocerias.

Em Ajdabiya, houve uma "batalha feroz" entre os combatentes e os soldados leais a Kadafi, que conseguiram entrar com 15 caminhonetes na cidade sob disputa mais próxima de Benghazi, afirmou o coronel. Ele disse que as kataeb estão lutando com a munição que levaram para lá, já que as linhas de suprimento foram cortadas pelos bombardeios aliados, e acrescentou que estavam tentando negociar, por meio de um clérigo, a rendição dessas brigadas de Kadafi em Ajdabiya. Bani declarou que alguns soldados inimigos haviam pedido para voltar para Sirt, cidade natal de Kadafi e reduto de seu clã. "Não podemos deixá-los ir sem interrogá-los."    

Ação

AHMED OMAR BANI

CORONEL AVIADOR E PORTA-VOZ DO COMANDO MILITAR REBELDE

"Eles nos atacaram pelo lado que pensaram ser o mais vulnerável, mas os derrotamos e os fizemos recuar 39 quilômetros"

 

 

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