Coalizão começa a disputa pela Presidência do Paquistão

Líderes dos partidos da aliança opositora a Musharraf discutem quem será o substituto do ex-presidente

Agências internacionais,

19 de agosto de 2008 | 09h19

Triunfantes depois da renúncia do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, líderes dos partidos que formam a coalizão governista começam a discutir nesta terça-feira, 19, quem serão os candidatos ocupar o cargo. Além disso, a aliança formada pelos partidos da ex-premiê assassinada em dezembro, Benazir Bhutto, e do também ex-premiê Nawaz Sharif, deve definir como reinstalar os 60 juízes opositores demitidos pelo ex-presidente para assegurar sua reeleição.   Veja também: Musharraf renuncia à Presidência do Paquistão Perfil: Musharraf viveu reviravolta após 11/09 Jogo duplo do presidente pode ter sido erro fatal    Segundo o The New York Times, o conflito pela sucessão deve ser entre Asif Ali Zardari, viúvo da ex-premiê Benazir e que lidera a maioria no Parlamento - o Partido Popular do Paquistão (PPP) - e Sharif, deposto num golpe militar comandado pelo próprio Musharraf em 1999. Os dois, que comemoraram a saída de Musharraf, reuniram-se na segunda em Islamabad para discutir sobre os passos que deveriam tomar, mas não chegaram a um acordo e se reunirão novamente nesta terça.   O presidente do Senado, Mohammedmian Soomro, fica interinamente no cargo até que o Parlamento escolha um novo presidente - o que deve ocorrer entre 30 e 60 dias. Segundo NYT, entre os nomes considerados para a Presidência está a presidente do Parlamento, Fehmida Mirza, que vem da base política do partido de Benazir, ou Aftab Shaaban Mirani, ex-ministro da Defesa e também membro do PPP.   Além disso, o viúvo de Benazir, ex-primeira-ministra morta em campanha eleitoral num atentado em dezembro, também almeja a Presidência. Mas um acordo com Sharif para chegar ao cargo ainda é uma dúvida, segundo políticos. O próximo presidente deve ser escolhido pela Assembléia Nacional e pelas quatro assembléias provinciais nos próximos 30 dias da saída de Musharraf.   A saída de Musharraf, um general da reserva de 65 anos, já era esperada. Ele vinha enfrentando, há meses, pressão para deixar o cargo. Na semana retrasada, uma coalizão liderada pelo ex-premiê Nawaz Sharif - deposto num golpe militar comandado pelo próprio Musharraf em 1999 - e por Asif Ali Zardari, viúvo da ex-premiê Benazir Bhutto, deu início a um processo de impeachment contra o ex-presidente que seria votado nos próximos dias pelo Parlamento.   No pedido, os opositores alegam que o ex-presidente mergulhou o país numa crise política e econômica sem precedentes, além de ter violado a Constituição. No ano passado, Musharraf destituiu dezenas de juízes da Suprema Corte (incluindo seu presidente, Iftikhar Chaudhry) e depois decretou estado de emergência, provocando uma onda de protestos.   A decisão tirou do cenário político do Paquistão o líder que comandou o país por nove anos, como um dos aliados mais importantes dos EUA - e não confiável. A saída ainda exigirá que oficiais americanos negociem um novo acordo com o novo governo de coalizão, que já provou não conseguir combater a expansão da insurgência Taleban no país. "Nós dissemos por anos que Musharraf era nossa melhor aposta, e temo que descobriremos o quanto isso era verdade", disse um alto funcionário da administração Bush, segundo o NYT.   Além de ter ficado isolado internamente, Musharraf vinha perdendo apoio de seu principal aliado externo, os EUA - fruto do fracasso do líder paquistanês no combate ao terrorismo islâmico. Desde que o processo de impeachment veio à tona, a Casa Branca não o respaldou, alegando que essa era uma "questão interna" do Paquistão.   Segundo integrantes da coalizão, o ex-presidente teria feito um acordo para não ser processado pela Justiça comum e poder permanecer no país. Mas, Musharraf negou em seu discurso ter negociado sua saída: "Não quero nada de ninguém. Não preciso disso. Deixo meu futuro nas mãos da nação e do povo paquistanês." Chaudhry Shujaat Hussain, líder do principal partido pró-Musharraf, disse que o ex-presidente não deixará o país e vai se mudar para uma fazenda nos arredores de Islamabad. O partido de Sharif defende que o ex-presidente seja julgado, já que esse seria o único caminho para estabelecer a democracia. Já Zardari e seus partidários acreditam que a decisão cabe ao Parlamento.

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