Coalizão de apoio aos EUA é menor do que parece

Os Estados Unidos procuram maquiar sua derrota diplomática nas Nações Unidas insistindo na afirmação de que constituíram ampla coalizão de países para entrar em guerra contra o Iraque. Ela é formada por 30 países, além dos 15 que limitam a participação a um apoio meramente político, não militar. Esses países, "por uma razão ou outra" não querem ver seus nomes na relação dos que são favoráveis à guerra. Na verdade, além da Grã-Bretanha, com 42 mil soldados, e a Austrália, com 2 mil, nenhum outro país terá participação militar significativa. Os EUA vão à guerra sem consenso internacional, sem reunir a maior parte de seus parceiros tradicionais e após uma batalha política na ONU que dividiu o planeta, com repercussões nas relações internacionais ainda difíceis de medir.Nem a Espanha, cuja presença ao lado dos EUA na fase de disputa diplomática foi constante, enviará soldados. O primeiro-ministro Jose María Aznar já comunicou que seu país não participará da operação. Já a presença do primeiro-ministro português, José Manuel Durão Barroso, na cúpula dos Açores, domingo, foi vista como a de simples anfitrião do trio de governantes, sendo que alguns jornais europeus chegaram a apresentá-lo como simples "chefe do protocolo".Entre os 30 países, a maioria apóia a operação americana sem participar diretamente, limitando sua cooperação a permitir o sobrevôo de seus territórios, caso da maior parte dos países do leste europeu, ex-satélites da União Soviética. Ora, a própria França, que liderou a frente de rejeição à guerra sem aval da ONU, e a Alemanha, garantem esse tipo de cooperação a Washington.Em compensação, além de França, Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança, são numerosos os países que decidiram não se submeter às pressões de Washington na ONU. Os membros africanos do conselho - Guiné, Angola e Camarões - e os latino-americanos - Chile e México - opõem-se à ofensiva.O mapa do mundo revela que, desta vez, os EUA não conseguiram nem de longe coalizão semelhante à da Guerra do Golfo de 1991. Nas Américas, Brasil, Argentina, México, Canadá e Venezuela, entre os mais importantes, estão fora da aliança. Na América do Sul, os EUA só têm apoio de Colômbia e Bolívia, e o Peru está indeciso. Na América Central, com Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Panamá. O continente africano, com exceção da Etiópia, favorável aos EUA, e de Ruanda, indecisa, talvez seja o que tem mais países contrários à guerra. Já no dia 3, em Adis-Abeba, a Organização da União Africana (OUA) havia adotado posição comum, afirmando que as Nações Unidas constituíam o único quadro legítimo para o desarmamento do Iraque.No Oriente Médio, a Síria está na linha da ONU e Israel, ao lado dos EUA. O Afeganistão apóia Washington e o Paquistão hesita entre seu novo aliado e sua população muçulmana, fortemente antiamericana. A Arábia Saudita é o país em situação mais desconfortável com seus vizinhos, o Kuwait e o Catar, onde estacionam tropas ou estão instaladas bases norte-americanas.O continente mais dividido é, sem dúvida a Europa, onde países como França, Alemanha, Rússia, Áustria, Bélgica, Luxemburgo, Suécia, Holanda e mesmo a Irlanda se situam do lado da ONU, enquanto Portugal, Espanha, Itália, Grã-Bretanha, Holanda e Dinamarca assumiram posição favorável aos EUA. No caso da Dinamarca, o governo propôs uma participação militar simbólica, o que está provocando reações importantes. Também se alinham com os EUA os países que estiveram sob o jugo soviético, tais como Polônia, Bulgária, Romênia, Hungria, República Checa, Lituânia, Letônia e Estônia.Na extremo oriente, o Japão lidera o grupo de apoio político a seu parceiro norte-americano, com Taiwan, Coréia do Sul e Filipinas. Indonésia, Coréia do Norte, China e Índia, se pronunciaram contra a guerra. O noticiário até 18/3/2003Veja o especial :

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