MENAHEM KAHANA / AFP
MENAHEM KAHANA / AFP

Coalizão de Bibi fracassa e Israel terá novas eleições

Para impedir que adversário formasse governo, segundo a tradição, premiê apresentou lei para segunda votação no país em seis meses

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 18h22

Após semanas de tensas negociações, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, não conseguiu formar uma coalizão de governo, levando o Parlamento a se dissolver e convocar novas eleições para setembro. O premiê saiu vitorioso das urnas em abril, mas, para obter um quinto mandato, tinha até esta quarta-feira para formar uma coalizão com seus aliados conservadores e obter maioria, o que não foi possível. 

As negociações ficaram bloqueadas pela divergência entre o partido secular Yisrael Beitenu, do qual o ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman é líder, e os ultraortodoxos em torno da isenção do serviço militar. 

Os partidos religiosos não querem que jovens seminaristas ultraortodoxos sejam forçados ao serviço militar. Em um país onde todos são obrigados a se alistar, esse tratamento diferenciado é considerado por muitos como uma injustiça, incluindo Lieberman, que foi premiê entre 1996 e 1997 e ministro da Defesa de Netanyahu em 2018.

 

Para participar do governo, Lieberman exigia o fim da isenção concedida aos ultraortodoxos. Diante do impasse, o Likud, partido de Netanyahu, o designou como inimigo político. A situação representou um golpe para Netanyahu e uma reviravolta sem precedentes, mesmo para um país acostumado a disputas políticas, segundo comentaristas locais.

 

Ao apresentar a resolução para dissolver o Parlamento, o Likud impediu que o presidente Reuven Rivlin oferecesse ao adversário derrotado por Netanyahu nas eleições, Benny Gantz, a incumbência de formar governo, o que tradicionalmente aconteceria em circunstâncias similares. A resolução foi aprovada por 74 a 45 votos, pouco depois de vencer o prazo dado a Netanyahu. 

Visivelmente irritado ao depositar seu voto a favor da dissolução, o premiê culpou Liberman. “Isso é completamente inacreditável”, disse Netanyahu. “Você vai gastar bilhões e paralisar o Estado por quase um ano. Nós temos coisas muito importantes para fazer.” O primeiro-ministro está no poder há 10 anos sem interrupção e 13 no total. Lieberman deixou o governo de Netanyahu no ano passado por discordar de suas políticas para a Faixa de Gaza, território palestino controlado pelo Hamas. 

Agora, segundo o especialista da Escola de Governo Lauder, do Centro Interdisciplinar de Herzliya, Maoz Rosenthal, Liberman deve se agarrar a sua exigência. “Isso funciona perfeitamente em sua base (eleitoral). Esse tipo de comportamento já o beneficiou no passado”, disse Rosenthal, em entrevista ao Washington Post. 

Parlamentares da oposição tentaram fazer uma obstrução assim que começou o debate no Parlamento, para tentar evitar novas eleições. Eles decidiram parar depois que ficou claro que Gantz também não estava tendo sucesso para formar uma coalizão alternativa. 

Plano de paz

Em comunicado, Rivlin disse que faria tudo ao seu alcance para impedir que o Estado de Israel fosse a outra campanha eleitoral. A nova rodada de eleições custará aproximadamente 475 milhões de shekels (cerca de US$ 517 milhões) para os contribuintes israelenses, segundo um representante do Ministério das Finanças. Também representará mais um impedimento para o aguardado plano de paz da Casa Branca. 

O genro e conselheiro do presidente dos EUA, Donald Trump, Jared Kushner, chegou hoje a Israel e deve ter uma reunião amanhã com Netanyahu sobre as negociações antes da cúpula no Bahrein a respeito do aspecto econômico do plano de paz com os palestinos. / W. POST, REUTERS e EFE 

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