Coalizão de direita ganha força política no Chile

A Coalizão pela Mudança, formada entre a ultradireitista União Democrata Independente (UDI) e o partido de centro-direita Renovação Nacional (RN) emergiu como uma força política no Chile após as eleições parlamentares do domingo. Já o Partido Comunista voltará ao Congresso após 37 anos, rompendo a exclusão imposta por um rígido sistema eleitoral herdado da ditadura.

AE-AP, Agencia Estado

14 de dezembro de 2009 | 19h31

A UDI conquistou 23,1% dos votos, superando seu parceiro na coalizão, a Renovação Nacional (RN), que obteve 17,8%. O governante Partido Democrata Cristão ficou em um distante terceiro lugar, com 14,3% dos votos. Somados os outros três partidos de centro-esquerda, a coalizão - no poder desde 1990 - conquistou 26,4% dos votos.

Mas se a UDI foi a grande vencedora da eleição parlamentar, também sofreu derrotas importantes ao não conseguir eleger para o Senado seu líder e duas vezes candidato presidencial Joaquín Lavín, derrotado por seu aliado de direita na zona de Valparaíso. Nessa região também foi eleito Ricardo Lagos Weber, filho do ex-presidente Ricardo Lagos e militante do governista Partidos pela Democracia (PPD).

"Foi uma noite de triunfos, mas também de dores", disse hoje o secretário-geral da UDI, Víctor Pérez, em alusão à derrota de Lavín. Além disso, Lavín foi derrotado pelo atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Alvarez, também da UDI.

Um acordo entre a coalizão de quatro partidos governistas e uma aliança encabeçada pelos comunistas permitiu que o partido elegesse pela primeira vez, em 37 anos, três de seus integrantes. O presidente do Partido Comunista, Guillermo Teillier, e o secretário-geral da legenda, Lautaro Carmona, farão parte da Câmara dos Deputados em 11 de março, assim como o conhecido advogado dos direitos humanos Hugo Gutiérrez.

O Partido Socialista, da presidente Michelle Bachelet, registrou queda no número de votos recebidos e perdeu dois senadores. Por outro lado, conseguiu que a deputada Isabel Allende, filha do ex-presidente Salvador Allende, conquistasse uma vaga no Senado.

A eleição de ontem manterá o atual equilíbrio das forças entre o governo e a aliança de direita, que será obrigada a fazer acordos ou terá de manter a alternância atual entre as duas forças nas mesas das duas casas legislativas. Atualmente, as duas Câmara e Senado são presididos por integrantes da UDI.

Na Câmara dos Deputados, a direita obteve 58 assentos contra 54 da coalizão do governo, mas a esses se poderão somar os três comunistas e três democratas cristãos para equilibrar as forças e se chegar a uma eventual maioria. Os dois independentes eleitos poderiam decidir as votações.

No Senado de 38 integrantes, a Concentração de Partidos pela Democracia, a aliança governante de centro-esquerda, ficou com 19 senadores, ao quais pode se somar um ex-socialista. A direita terá 16 senadores, mas dois legisladores independentes costumam votar com a direita.

O novo Congresso tomará posse em 11 de março, quando também fará juramento o novo presidente, cuja eleição será definida no segundo turno previsto para 17 de janeiro. Disputarão o cargo o candidato de direita Sebastián Piñera e o ex-presidente e governista Eduardo Frei, um democrata cristão.

A comuna de Los Condes, uma das 32 que compõem a cidade de Santiago, não conseguiu eleger para a Câmara Baixa Rodrigo García Pinochet, neto do falecido ex-ditador Augusto Pinochet. García Pinochet concorreu como independente porque foi expulso da aliança de direita.

Com informações da Dow Jones.

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