Coalizão de governo israelense sofre fissuras

Surgiram hoje fissuras na coalizão governista de Israel depois que membros do moderado Partido Trabalhista, liderados pelo ministro do Exterior Shimon Peres, boicotaram uma votação no gabinete sobre a adoção de medidas mais duras contra os palestinos. Os membros do partido no parlamento irão discutir a possibilidade de abandonarem a coalizão numa reunião especial nesta quarta-feira, disseram líderes partidários. A saída dos trabalhistas iria enfraquecer o governo do primeiro-ministro Ariel Sharon, mas não o derrubaria. Mesmo aqueles que estão a favor da retirada dos trabalhistas consideram que a ação levaria algum tempo. Os ministros trabalhistas estão irritados com Sharon por forçar uma votação sobre uma resolução do gabinete considerando a Autoridade Palestina "uma entidade que apóia o terrorismo", em vista dos atentados suicidas e disparos contra israelenses que deixaram 26 mortos em menos de 24 horas. Os ministros trabalhistas mantêm que uma resolução do tipo deveria ser amplamente debatida. "Parecia que estávamos sendo atropelados", disse o ministro da Ciência, Esporte e Cultura Matan Vilnai. Ministros do Partido Trabalhista apóiam represálias militares contra os palestinos, mas disseram que elas deveriam ser acompanhadas por ações políticas e diplomáticas. O ministro do Transporte Ephraim Sneh advertiu hoje que os trabalhistas não permanecerão na coalizão de Sharon "a qualquer preço". Peres não tem comentado sobre a votação no gabinete. Entretanto, numa entrevista à CNN antes da reunião ministerial, o ministro do Exterior não criticou as duras políticas de Sharon contra os palestinos. Raanan Cohen, outro ministro trabalhista, disse que seria irresponsável da parte de seu partido abandonar o governo num momento quando o público israelense está sofrendo uma onda de ataques mortais palestinos. A ministra da Indústria e Comércio Dalia Itzik afirmou que só deixará o governo caso Sharon decida reocupar as cidades palestinas e derrubar a Autoridade Palestina. A decisão do gabinete não chegou a chamar a Autoridade Palestina de inimigo e não decidiu por sua eliminação. A maior pressão para a saída do Partido Trabalhista do governo vem dos 15 membros trabalhistas do parlamento que não são ministros nem secretários. Todos os 15, incluindo o presidente do parlamento Avraham Burg, são a favor da saída, mas um deles expressou reservas quanto ao momento, segundo divulgou a Rádio de Israel.A reunião dos parlamentares sobre a retirada será realizada amanhã, mas mesmo se for aprovada, ela terá de ser confirmada pela comissão política do partido, que é um órgão maior, e finalmente pelo comitê central, que tem ainda mais integrantes, e o processo demandaria algum tempo. A Rádio do Exército israelense divulgou hoje que Peres quer deixar a coalizão, mas a notícia foi negada por seu porta-voz, Yoram Dori. Peres deseja que "o Estado de Israel use ação diplomática, não apenas a força militar", disse Dori. Peres estava hoje em Bucareste. Ele afirmou que amanhã decidirá se permanece no governo.

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