Arquivo/AP
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Coalizão de governo propõe proibição da burca na Holanda

Medida faz parte de proposta para formação de governo com apoio de partido antimuçulmano

BBC Brasil, BBC

30 de setembro de 2010 | 20h00

Uma nova coalizão de governo que pode assumir o poder na Holanda está propondo que o país passe a proibir o uso do véu islâmico que cobre completamente a mulher, conhecido como burca, como parte do programa do governo.    

 

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Há meses que o Partido VVD, de perfil Liberal e o Democrata Cristão (CDA) vêm negociando a formação de uma coalizão, mas para governar eles precisam também do apoio do Partido da Liberdade, liderado pelo político anti-islâmico Geert Wilders, que defende que o véu islâmico seja banido.

Wilders é um político de extrema-direita, conhecido por suas opiniões polêmicas.

Ele já fez campanha para paralisar o que ele chamou de "islamização da Holanda" e deve ir a julgamento na próxima semana por acusação de ofensas ao Islã, devido às suas críticas públicas ao islamismo.

O acordo ainda precisa ser ratificado pelos democratas cristãos em uma reunião neste sábado.

Cortes no orçamento

Além da proposta de proibição do uso do véu, o pacto também incluiria planos de cortes do orçamento, de cerca de 18 bilhões de euros (quase R$ 42 bilhões) até 2015, além de endurecer as leis de imigração e aumentar o número de policiais no país.

"Reformas importantes serão feitas na Holanda", disse o líder do Partido Liberal, Mark Rutte, ao apresentar o pacto chamado de Liberdade e Responsabilidade. "Queremos dar o país de volta do cidadão trabalhador da Holanda."

A Holanda está com um governo interino desde fevereiro, quando uma coalizão liderada pelo ex-líder do Partido Democrata Cristão (CDA, na sigla em inglês), Jan Peter Balkenende, foi desfeita devido a problemas relacionados ao envolvimento militar do país no Afeganistão, que levou à retirada dos militares holandeses do país.

O VVD e o CDA tem 52 cadeiras no Parlamento holandês, que tem um total de 150 assentos. A proposta dos dois partidos é formar um governo de minoria, mas, com isso, eles terão que contar com as 24 cadeiras do Partido da Liberdade para aprovar uma legislação com uma pequena vantagem.

Se o acordo foi aprovado, o líder do VVD, Mark Rutte, seria o primeiro-ministro da Holanda, formando um gabinete de governo com o CDA, que é liderado por Maxime Verhagen.

Verhagen, por sua vez, descreveu o acordo como "um acordo de governo muito bom".

"Estou convencido de que é um acordo com o qual todos os democratas cristãos poderão se identificar", afirmou.

No entanto, alguns parlamentares democratas cristãos, que não querem trabalhar com Wilders, não ficaram satisfeitos com o acordo firmado.

Depois de uma maratona de negociações na quarta-feira, os parlamentares democratas cristãos resolveram deixar a decisão final de se juntar ou não ao governo de coalizão para uma conferência especial no sábado.    

 

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