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Coalizão de oposição síria terá representante na França, diz Hollande

Rebeldes e forças do presidente síro Bashar Assad voltaram a se enfrentar neste sábado

estadão.com.br,

17 de novembro de 2012 | 11h57

PARIS - A coalizão de oposição na Síria vai nomear um enviado para a França, disse neste sábado, 17, o presidente francês, François Hollande, depois de se reunir com o dirigente da Coalizão Nacional Síria, Mouaz Alkhatib. Segundo uma fonte diplomática francesa, a pessoa teria o papel de representante da coalizão e se tornaria embaixador assim que um governo provisório for estabelecido na Síria e reconhecido internacionalmente.

"Haverá um embaixador sírio na França que será indicado pelo presidente da coalizão", declarou Hollande. O presidente francês convidou Alkhatib para conversar em Paris, depois que a França se tornou a primeira potência europeia a reconhecer o grupo como único representante do povo sírio.

A França é uma das mais duras críticas do presidente da Síria, Bashar Assad, cuja repressão militar ao levante contra seu governo já causou a morte de 38 mil pessoas, de acordo com ativistas. Há o risco de o conflito afetar países vizinhos.

Confrontos

Um carro bomba explodiu em meio ao conflito entre rebeldes e forças do regime sírio na cidade de Alepo, norte da Síria, neste sábado, afirmou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos. De acordo com a entidade dissidente, com base em Londres, também foram ouvidos tiros de morteiro em Deir al-Asafir, perto de Damasco.

As tropas do regime na capital síria interromperam estradas e bloquearam áreas, impedindo moradores de fugir do local. Aviões de guerra sobrevoaram a região de Ghouta, perto de Damasco. No leste da Síria, um rebelde foi morto em combate em Deir Ezzor, enquanto áreas do bairro da Cidade Velha em Homs, no centro do país, foram bombardeadas, de acordo com o observatório.

Na sexta-feira, 106 pessoas, sendo 42 soldados, 42 civis e 22 rebeldes, foram mortas em toda a Síria, segundo o Observatório, que afirma que mais de 38 mil pessoas morreram desde que o conflito começou, em março de 2011.

Liberdade

Um cinegrafista turco desaparecido ao fazer a cobertura jornalística dos conflitos em Alepo foi liberado por seus captores e retornaria à Turquia, informou à mídia turca uma delegação que negociava a sua liberação. O cinegrafista turco Cuneyt Unal, cuja liberação foi anunciada hoje, e o repórter Bashar Fahmi - cidadão jordaniano de origem palestina - estavam desaparecidos desde agosto. Acreditava-se que tivessem sido capturados por forças do governo sírio. Ambos estavam trabalhando para a rede de TV dos Estados Unidos Alhurra.

O parlamentar de oposição Hasan Akgol afirmou que Unal estava em Damasco e retornaria à Turquia no final do dia com a delegação turca que negociou sua liberdade. Não há informações sobre o paradeiro do Fahmi. Em entrevista por telefone, Unal disse à rede de televisão turca NTV que ele e Fahmi foram apanhados durante combates na cidade de Alepo em 20 de agosto.

Segundo ele, Fahmi foi ferido em meio ao conflito. O cinegrafista disse ter sido capturado por um grupo de pessoas que mais tarde o entregaram para forças do governo sírio. Ele ficou preso em uma cela em Alepo nos últimos três meses, mas disse não ter sido maltratado.

O cinegrafista afirmou ainda que estava feliz de ser libertado, mas continuava "em choque". "Eu não sabia que seria libertado até que vi a delegação turca na minha frente", relatou. "Senti muita saudade da minha esposa, minha filha e minha família."

Com AP e Dow Jones

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