Coalizão de Prodi leva Câmara e Senado italianos

Romano Prodi comemorou sua vitória nesta terça-feira contra o premiê Silvio Berlusconi nas eleições parlamentares italianas. Mesmo sem o término oficial da contagem e com Berlusconi ameaçando não aceitar a derrota, Prodi afirmou que irá formar um governo "forte".Enquanto o ministério do Interior não declara o vencedor, projeções finais indicam que a coalizão de centro-esquerda União conseguiu ganhar a maioria no Senado por uma diferença mínima, fazendo com que Prodi tenha o controle das duas casas do parlamento. A decisão ficou para os italianos que moram no exterior, que definiram as seis últimas cadeiras do Senado. Segundo pesquisas, a União conseguiu quatro delas.Mas a coalizão de Berlusconi, a Casa da Liberdade, não aceitou os números das eleições e pede uma recontagem dos votos da Câmara dos Deputados, onde os resultados finais dão à coalizão de Prodi uma fina margem de 25.000 votos em um total de 38 milhões.O ministro do Interior disse nesta terça-feira à tarde que os resultados divulgados até o momento são provisórios. Segundo ele, a Corte Suprema italiana ainda precisa confirmar os resultados e só então o comitê parlamentar de eleições poderá aceitar qualquer tipo de reclamação. Apesar de Prodi não mostrar preocupação em relação a uma possível recontagem dos votos, ele voltou afirmar que as eleições deixaram o país "dividido".Prodi também disse que não irá instalar um novo governo até que o Parlamento nomeie outro presidente, no próximo mês. Na Itália, o presidente dá ao vencedor das eleições parlamentares a missão de formar o governo. O mandato do presidente Carlo Azeglio Ciampi acaba no final deste mês.Berlusconi não desisteO premiê Silvio Berlusconi reuniu seus maiores aliados no QG de seu partido, Força Itália, em Roma, para discutir o que poderá ser feito para contestar a vitória de Prodi.O coordenador do Força Itália, Sandro Bondi, contestou 43.000 votos dirigidos à Câmara dos Deputados, embora não tenha explicado o motivo. A contagem final dos votos para a Câmara dos Deputados mostram que Prodi ganhou por uma vantagem mínima: 49,8% a 49,7%. A lei eleitoral italiana diz que 55% dos acentos são reservados ao vencedor, não importando a escala da vitória, dando à União 340 lugares dos 630 totais da Câmara.Por este motivo, toda a atenção se voltou para o Senado, que Prodi também precisaria vencer para conseguir formar um governo forte.De acordo com a contagem oficial da votação realizada na Itália, os aliados de Berlusconi ficaram com um lugar a mais na casa, com 155 assentos contra os 154 de Prodi. Mas os eleitores italianos ultramarinos concederam à União mais quatro cadeiras no Senado, dando a vitória ao grupo de centro-esquerda. Parlamentarismo italianoEmbora a Câmara dos Deputados seja responsável por eleger o primeiro-ministro, tanto a Câmara quanto o Senado contam com os mesmos poderes no parlamentarismo italiano, de modo que a coalizão vencedora precisa ter o controle de ambas para conseguir governar. Por este motivo, pouco antes de confirmado o resultado, líderes de ambos os lados diziam que se nenhuma coalizão atingisse uma maioria para controlar as duas casas parlamentares novas eleições deveriam ser organizadas.Mesmo que a coalizão de centro-esquerda consiga o controle da Câmara e do Senado, ela encontrará dificuldade para governar com uma diferença tão pequena.Berlusconi, de 69 anos, é um bilionário cujo império inclui redes de televisão, mas que falhou em revitalizar a economia estagnada italiana. Sua principal proposta durante a corrida eleitoral foi abolir taxas imobiliárias.Prodi, de 66 anos, foi premiê italiano em 1996 e exerceu o cargo presidente da Comissão Européia de 1999 a 2004, diz que irá retomar a cobrança de impostos de renda abolida por Berlusconi, mas apenas para os ricos.

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