Coalizão diz que renúncia de Musharraf é vitória do povo

Partido da aliança opositora pede que presidente paquistanês seja punido por ter violado a Constituição

Agências internacionais,

18 de agosto de 2008 | 07h54

O Partido Popular do Paquistão (PPP), que era liderado pela ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, qualificou nesta segunda-feira, 18, a renúncia do presidente Pervez Musharraf como "uma vitória do povo". A Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), liderada pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, se mostrou contrária a conceder-lhe imunidade após sair do poder.   Veja também: Musharraf renuncia à Presidência do Paquistão Perfil: Musharraf viveu reviravolta após 11/09   O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, renunciou ao cargo nesta segunda-feira em meio a uma campanha de impeachment contra ele lançada por partidos do governo de coalizão. Musharraf, ex-comandante do Exército e um aliado-chave dos Estados Unidos na chamada guerra contra o terror, chegou ao poder através de um golpe de Estado sem violência, em 1999, contra Sharif. Os partidos de oposição chegaram ao governo de coalizão em fevereiro depois de uma vitória esmagadora nas urnas nas eleições Parlamentares, enfraquecendo ainda mais o governo de Musharraf.   "A renúncia de Musharraf é uma vitória do povo do Paquistão. Finalmente os paquistaneses conseguem se livrar da ditadura e é um motivo de alegria", disse um porta-voz do partido de Benazir, assassinada em campanha eleitoral em um atentado. A fonte acrescentou que a saída do ex-general trará "estabilidade política" ao país, porque "durante os últimos meses Musharraf esteve conspirando contra um governo civil", disse.   Segundo o porta-voz, os partidos da coalizão governamental poderiam ainda apresentar acusações contra Musharraf para julgá-lo por suas ações. "Os líderes da coalizão decidirão nesta segunda o que fazer com sua má gestão da política durante estes últimos nove anos", concluiu.   Em um discurso à nação, Musharraf disse que um processo de impeachment não seria no interesse do país, mas afirmou não temer as acusações contra ele. "Nem mesmo uma única acusação contra mim pode ser provada", afirmou. Musharraf é acusado de incompetência e de violar a Constituição do país. O partido de Sharif, que integra a coalizão oposicionista que lidera o Parlamento, pediu que Musharraf seja punido por violar a Constituição. "Nossa posição a respeito de conceder-lhe uma saída é clara. Musharraf quebrou a Constituição e deve pagar por isso", disse o secretário de informação da PML-N, Ahsan Iqbal, em declarações à imprensa. Iqbal, para quem a renúncia é uma "vitória das forças democráticas", disse que a saída do presidente "só trará conseqüências positivas".   Bilawal Bhutto Zardari, filho da ex-líder do Partido Popular do Paquistão (PPP) Benazir Bhutto, disse que a saída do poder de Musharraf "eliminou um obstáculo para a democracia no Paquistão". Bilawal, de 20 anos, que chegou hoje à cidade de Karachi e está destinado a assumir a liderança do PPP quando fizer 25 anos, disse ao canal de televisão Geo TV que sua formação está comprometida a restituir em seus cargos os magistrados do Supremo expulsos por Musharraf. A medida conta com o apoio do partido de Sharif, legenda que se mostrou partidária de restaurar "em breve" os juízes em seus cargos.

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