Coalizão governista inicia disputa no Paquistão após renúncia de Musharraf

Um dia após a renúncia do presidente Pervez Musharraf, os dois principais partidos da coalizão de governo no Paquistão reuniram-se ontem para chegar a um acordo sobre urgentes problemas econômicos e de segurança, e para discutir sobre um novo presidente, mas se envolveram em uma disputa sobre a reintegração do presidente da Suprema Corte, Iftikhar Chaudhry, que Musharraf destituiu no ano passado.Apesar de a saída de Musharraf - que era ameaçado de impeachment - ser amplamente vista como o início de uma nova era no Paquistão, os eventos de ontem demonstram que dificilmente as disputas e divisões políticas serão superadas. Na reunião de ontem, o ex-premiê Nawaz Sharif, líder do partido Liga-N, deu 72 horas de prazo ao principal aliado na coalizão, o Partido do Povo Paquistanês, liderado por Asif Ali Zardari (viúvo da ex-premiê Benazir Bhutto), para a reintegração de Chaudhry. Zardari teme que o juiz revogue a anistia das acusações de corrupção contra membros de seu partido. A saída da Liga-N da aliança enfraqueceria o governo, mas não levaria à convocação de novas eleições parlamentares.Sharif e Zardari um consenso sobre quem sucederá a Musharraf na presidência. O Parlamento deve eleger um novo presidente em 30 dias.Os paquistaneses querem que o governo deixe as disputas políticas de lado e enfrente os problemas econômicos e a insurgência que, aos poucos, está deixando as regiões tribais e atingindo outras áreas do país.Em um atentado cuja autoria foi reivindicada pelo Taleban, um suicida detonou uma bomba na ala de emergência de um hospital em Dera Ismail Khan, uma cidade da região tribal, matando 32 pessoas e deixando mais de 30 feridos. O Taleban exigiu que o governo suspenda as ofensivas militares na área tribal de Bajur e no Vale de Swat. O governo americano disse ontem que estudará um eventual pedido de asilo de Musharraf - que era o aliado-chave dos EUA em sua guerra contra o terror -, mas destacou que nenhuma solicitação foi apresentada. Sharif, deposto por Musharraf em 1999, quer que o general da reserva seja julgado por traição, mas Zardari parece menos inclinado a processar o ex-presidente.

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