Coalizão já tem preparado plano de ataque à Líbia

Encontro hoje em Paris analisará cessar-fogo de Kadafi e se uma ofensiva será lançada ou não nas próximas horas

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2011 | 00h00

O núcleo da coalizão internacional para garantir o cessar-fogo na Líbia e a inviolabilidade da área de exclusão aérea determinada na quinta-feira pela Organização das Nações Unidas já está pronto e tem plano de ataque.

Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Catar já têm o acordo da Itália para usar, entre outras, a base de Sigonella, a 500 km de Trípoli, como ponto de partida dos caças que podem bombardear as instalações militares líbias. A definição deve ser tomada hoje, em Paris, durante uma reunião para analisar o cessar-fogo anunciado pelo líder líbio, Muamar Kadafi.

Os indícios de que o plano de ataque americano, francês, britânico e catariano está pronto multiplicaram-se ontem, em especial na França e na Grã-Bretanha. Em Paris, o porta-voz do Palácio do Eliseu, François Baroin, chegou a afirmar que os primeiros bombardeios poderiam ocorrer ainda ontem. À tarde, o premiê François Fillon reuniu-se com o chanceler Alain Juppé, com o ministro da Defesa Gérard Longuet, e com representantes do Estado-maior das Forças Armadas para discutir as primeiras medidas.

Uma reunião de alto escalão da União Europeia, União Africana e Liga Árabe, com representantes dos EUA e de outros aliados, será realizada na tarde de hoje, no Palácio do Eliseu, em Paris, para analisar a declaração de cessar-fogo do regime de Kadafi. Além do anfitrião, Nicolas Sarkozy, personalidades como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, estarão presentes.

Reunião-chave. O encontro, segundo Juppé, será decisivo para a definição sobre lançar ou não um ataque nas próximas horas. "Nós estamos prontos. A reunião de amanhã (hoje), que vai reagrupar muitos países europeus, árabes, africanos, além dos americanos, será a ocasião para analisar as declarações que foram feitas pelo regime sobre o cessar-fogo e tirar conclusões."

Segundo a chanceler alemã, a reunião tem um objetivo específico: "A comunidade internacional deverá se assegurar de que não se trata de uma manobra para provocar distração".

Em Londres, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que "nas próximas horas" aviões de combate Tornado e Eurofighter seriam deslocados para bases aéreas nas imediações da Líbia.

"Será uma operação conjunta britânica, americana e francesa, com o apoio de países árabes", confirmou.

A Grã-Bretanha já dispõe de uma base em Chipre e tem duas fragatas - HMS Cumberland e HMS Westminster - estacionadas no Mar Mediterrâneo.

Nessa coalizão, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não será envolvida, embora o secretário-geral da entidade, Anders Fogh Rasmussen, tenha se colocado à disposição ontem, em nome de "uma intervenção urgente".

Além de EUA, França, Grã-Bretanha e Catar, Canadá - com seis caças F-18 -, Bélgica, Espanha e os Emirados Árabes Unidos informaram que pretendem enviar aviões à região. Os líderes da Noruega e da Dinamarca comunicaram que pedirão autorizações aos respectivos parlamentos para anunciar sua integração ao grupo de países. Por outro lado, Rússia, China, Itália, Alemanha, Áustria, Hungria e Bulgária informaram que não tomarão parte em uma eventual ação militar na Líbia.

"Nós nos opomos ao uso da força militar nas relações internacionais e temos reservas em relação a certos pontos da resolução (da ONU)", protestou Juang Yu, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China.

Além de patrulhar o espaço aéreo líbio, a coalizão terá como objetivo destruir as pistas de pouso dos principais aeroportos, como o de Trípoli e Sirte. Os bombardeios devem incluir ainda a imobilização dos sete bombardeiros Tu-22, dos 187 caças Mig 23 e 25, de 180 unidades de ataque ao solo Mig 21, Mirage F1 e Su-17 e Su-24 e de sete Mig-25 de vigilância, além de outros 85 aviões de transporte da Aeronáutica. Também 136 helicópteros devem ser visados pelo eventual ataque.

Em resposta ao aumento da pressão internacional, a Líbia informou ter fechado seu espaço aéreo na tarde de ontem, segundo a agência Eurocontrol, que monitora o tráfego internacional de aeronaves.

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