AFP PHOTO / AHMAD AL-RUBAYE
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Coalizão liderada pelos EUA não protegeu civis em Mossul, diz Anistia Internacional

Relatório divulgado pela ONG relata 'alarmante padrão de ataques aéreos' e diz que civis não tentaram fugir da área de conflito por terem sido instruídos pelo governo iraquiano a permanecerem em suas casas

O Estado de S.Paulo

28 de março de 2017 | 10h52

BAGDÁ - O recente aumento na morte de civis na cidade iraquiana de Mossul sugere que a coalizão liderada pelos Estados Unidos não tomou precauções adequadas para proteger pessoas não envolvidas no combate aos membros do Estado Islâmico, afirmou nesta terça-feira, 28, a Anistia Internacional (AI).

O relatório foi apresentado pela ONG pouco depois de a própria coalizão admitir que foi responsável pelo ataque em 17 de março no oeste de Mossul que pode ter deixado mais de 100 civis mortos. As autoridades americanas, no entanto, não confirmam a morte de civis, mas abriram uma investigação sobre o caso.

A Anistia também cita um segundo ataque aéreo no sábado que teria matado "até 150 pessoas". As evidências coletadas pela ONG em Mossul apontam para "um alarmante padrão de ataques aéreos da coalizão liderada pelos EUA que destruíram casas com famílias inteiras dentro delas". Para a AI, as falhas em prevenir a morte de civis poderiam configurar "uma flagrante violação da lei humanitária internacional".

Grupos civis, humanitários e organizações de monitoramento tem alertado reiteradamente nas últimas semanas para a possibilidade de aumento na quantidade de civis mortos no oeste de Mossul em razão da grande densidade populacional desta região.

Além disso, diferente das batalhas anteriores contra o EI em ambientes urbanos no Iraque, em Mossul o governo decidiu instruir os moradores da cidade a permanecerem dentro de suas casas durante os confrontos - as cidades de Fallujah e Ramadi, por exemplo, foram totalmente esvaziadas antes do avanço das forças militares.

O relatório da Anistia Internacional cita sobreviventes e testemunhas dos ataques aéreos que mataram dezenas de civis ao dizer que "não houve nenhuma tentativa das pessoas de deixar a área de combate porque elas receberam repetidamente instruções das autoridades iraquianas para permanecerem em suas casas".

Análise. Investigadores estão na cidade de Mossul para determinar se o ataque da coalizão ou explosivos instalados pelo Estado Islâmico causaram uma enorme explosão que destruiu edifícios e matou mais de 200 pessoas, disse um comandante militar americano.

"É muito possível que o Daesh tenha explodido aquele prédio para colocar a culpa na coalizão, de forma a causar um atraso na ofensiva em Mossul e causar um atraso no uso de ataques aéreos da coalizão", disse o chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA, general Mark Milley, usando um termo árabe para se referir ao EI. "É possível, no entanto, que um ataque aéreo da coalizão o tenha feito. Ainda não sabemos. Há investigadores no local."

O comando militar iraquiano culpou os extremistas, que teriam montado explosivos em um prédio para provocar baixas civis, mas algumas testemunhas dizem que o edifício desabou devido a um ataque aéreo, soterrando muitas famílias sob os escombros. / AP e REUTERS

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