Coalizão para reagir ao Estado Islâmico está sob avaliação

Resposta da Europa e dos Estados Unidos à barbárie imposta pelo grupo islâmico pode envolver forte mobilização militar

ROBERTO GODOY, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2015 | 02h04

A resposta da Europa e Estados Unidos contra as ações de brutalidade dos radicais religiosos do Estado Islâmico pode ser pesada - segundo duas fontes do setor de Defesa ouvidas ontem pelo Estado, em Washington, ensaios envolvendo forças de uma coalizão internacional de intervenção " já estão sob avaliação".

Na prática, significa uma mobilização militar de grandes proporções. Em 1991, na Guerra do Golfo, 34 países enviaram cerca de 500 mil combatentes para lutar no Iraque, contra o formidável Exército de 1,2 milhão de soldados de Saddam Hussein. A situação atual, todavia, é diferente, dizem os especialistas.

"O EI é difuso, não está subordinado a um governo regular ou a um país, ocupa parte do território iraquiano e é um intruso na Síria; para atacá-lo seria preciso assumir o risco da ação rua a rua, casa a casa", diz o analista John Cruz, do Centro para Estudos Estratégicos da Universidade de Georgetown.

Tamanho, nesse caso, não é o argumento, acredita outro pesquisador - "inteligência e informações, sim", sustenta. Ligado à Universidade da Defesa, prefere não ser identificado, mas lembra que, "operações de identificação e extração das lideranças no comando dos grupos, seguidas da destruição da infraestrutura, serão fundamentais para a redução das capacidades dos radicais". No cenário traçado pelo consultor, "é essencial que os chefes sejam capturados com vida para serem interrogados".

Organizado. Encarar os guerrilheiros do Estado Islâmico, é tarefa dura. Esses milicianos têm treinamento, ordem e agem sob consistentes treino e planejamento. Usam canhões russos de tiro rápido Shipunov 2A42, de 30 milímetros. O equipamento, geralmente montado em veículos utilitários comerciais, está assentado sobre giroscópios destinados a estabilizar a plataforma.

Observadores ocidentais relataram, em junho de 2014, a organização do EI em times de 240 militantes divididos em 20 pelotões de 12 combatentes - um modelo muito parecido com o adotado pelas forças modulares ocidentais americanas e britânicas, por exemplo. Cada subdivisão tem um líder. Os homens avançam em ondas de fogo produzido por fuzis AK-47, lançadores de granadas de 40mm, morteiros de 60mm e foguetes leves do tipo RPG-7, com munição antiblindagem.

Em análise de outubro do ano passado, a agência de inteligência da Defesa americana creditou toda a coordenação do sistema a Abu Bakr al-Baghdadi, comandante da facção. O ex-professor secundário de História e Geografia é violento, cruel e eficiente. É visto abertamente na frente de batalha, não cobre o rosto e adota os padrões militares que caracterizam as operações. Em frequentes discursos de exortação, diz não temer um provável ataque por um drone de busca armado. "Haverá outro, há outros, há muitos", repete em seu bordão.

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