Carlos Ruggi/ Estadão
Carlos Ruggi/ Estadão

Cobrança internacional impulsionou criação do Ibama na gestão Sarney

Para ex-secretário de Assuntos Estratégicos, País pode viver ‘nova onda’ de pressão externa em caso de triunfo de Biden

Felipe Frazão, O Estado de S. Paulo

02 de novembro de 2020 | 05h00

BRASÍLIA - Uma possível mudança na rota da política ambiental não seria a primeira motivada por pressão internacional. Ex-secretário de Assuntos Estratégicos de Bolsonaro, o general da reserva do Exército Maynard Marques de Santa Rosa lembra que o governo de José Sarney (1985-1990) teve de responder a cobranças por queimadas e pelo assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, em dezembro de 1988.

Menos de dois meses depois da morte de Mendes no Acre, Sarney anunciou a criação do Ibama e medidas para conter o desmatamento. Em jogo estavam investimentos de organismos internacionais e as negociações da dívida.

Santa Rosa disse que, embora a iniciativa fosse brasileira, o principal órgão ambiental do País foi criado por pressão internacional. “Se o Brasil não cedesse, não teria a dívida renegociada”, contou.

Na época, o governo do republicano Ronald Reagan era o credor de empréstimos do País. Editoriais do New York Times contestavam o governo brasileiro por causa dos incêndios e do crime. Naquele período, Santa Rosa cursava pós-doutorado em Política e Estratégia na Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos, na Pensilvânia.

Presidentes americanos conxduzem política externa conforme o gosto do eleitorado

Para o general, presidentes americanos conduzem suas políticas guiados mais pelo humor interno do que pela necessidade de relacionamento internacional. “O discurso de (Joe) Biden é para consumo interno do eleitorado. Ele fala para obter voto. Depois que assumir, se a opinião pública dominante for contra o Brasil, como aconteceu em 1988 e 1989, aí vamos ter uma nova onda de pressão ambiental, principalmente nos assuntos amazônicos”, avaliou. “Se a opinião pública estiver de cabeça feita em prevenção, aí devemos nos preocupar e investir em propaganda dentro dos Estados Unidos.”

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Oficiais-generais das Forças Armadas observam, por sua vez, que uma derrota de Donald Trump representará um revés político pessoal para Bolsonaro e sua família. Todo o relacionamento atual entre os países é creditado pela chancelaria a uma amizade e confiança. 

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, chegou a ser recebido fora da agenda por Trump e chamado de “jovem excepcional” pelo americano. Na política externa, o presidente brasileiro já “perdeu” em dois países vizinhos e estratégicos na América do Sul, com as vitórias do kirchenerista Alberto Fernández, na Argentina, e do socialista Luis Arce, na Bolívia.

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