Cobrar ou não pelos artigos na internet?

Leitores aceitariam pagar por parte de conteúdo, diz estudo

Jeremy W. Peters, The New York Times, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2011 | 00h00

Enquanto os jornais do mundo inteiro perguntam-se ansiosamente o que acontecerá se começarem a cobrar a leitura de artigos online, algumas respostas já começam a aparecer.

A experiência realizada por Steven Brill no Journalism Online, um sistema que permite aos jornais cobrar de seus leitores mais regulares na internet, analisou seus dados preliminares e concluiu que, em média, a receita da publicidade e o tráfego na internet, em geral, não tiveram uma redução significativa, apesar das previsões em contrário.

O tamanho da amostra dos dados colhidos pelo Journalism Online era reduzido - cerca de 20 jornais de pequena a média circulação que há vários meses cobram uma taxa dos leitores -, portanto, é difícil prever um padrão para os jornais maiores.

Mas as conclusões iniciais mostraram que as publicações tiveram sucesso com um modelo pago, estabelecendo um limite mensal conservador para o número de artigos que os leitores poderiam ler gratuitamente, e deixaram claro que a maioria dos leitores não seria afetada.

Segundo o Journalism Online, as visitas mensais aos sites incluídos em seu estudo caíram de 0% a 7%, enquanto as visitas às páginas caíram de 0% a 20%. Nenhum editor informou se houve um declínio da receita da publicidade.

Ao contrário de um esquema rígido de pagamento - exigindo uma assinatura para ler quase todo o conteúdo editorial -, o modelo empregado pelo Journalism Online não impede um grande tráfego na internet.

"Se fixarmos uma medida pouco agressiva, como aconselhamos às pessoas, não desestimularemos 85%, 90% ou 95% das pessoas que procuram os sites", disse Brill.

Ele acrescentou que a maioria dos jornais estabelece um limite baixo para o número mensal de artigos que podem ser lidos gratuitamente - entre 5 a 20. Os jornais cobram uma taxa de assinatura de US$ 3,95 a US$ 10,95.

Comportamento. Segundo L. Gordon Crovitz, um ex-editor do Wall Street Journal que ajuda a tocar o projeto, a conclusão que se pode tirar dos números obtidos é que os leitores ouvidos estavam dispostos a pagar por uma parte do conteúdo online, mas não por todo. Os consumidores estão dispostos a "pagar pelas publicações em que confiam mais, desde que as usem com frequência", afirmou.

Os jornais que utilizam o Journalism Online concentram-se no noticiário local, como The Columbus Dispatch, do Mississippi e The York Daily Record, da Pensilvânia.

Com exceção do Wall Street Journal, os sites dos grandes jornais americanos continuam gratuitos até o momento. The New York Times será o maior jornal dos EUA a usar uma opção para os assinantes do seu site quando adotar um sistema de cobrança dos usuários mais frequentes do NYTimes.com, ainda no início deste ano.

Tim Ruder, diretor de faturamento da Perfect Market, uma empresa de consultoria de mídia especializada em noticiário, disse que o que serve para pequenos jornais não servirá necessariamente para os grandes. Mas acrescentou que, como nenhum jornal maior de cobertura nacional resolveu começar a cobrar pelas visitas anteriormente gratuitas, é difícil fazer previsões.

"Até que ponto esse sucesso se replicará em sites maiores dependerá de muitas coisas, até mesmo da qualidade, da natureza e da exclusividade do conteúdo", afirmou. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É REPÓRTER ESPECIALIZADO EM MÍDIA

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