AP Photo/Rodrigo Abd
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Cocaína envenenada: Com 22 mortes, Argentina investiga casos na Grande Buenos Aires

Com mais perguntas do que respostas, investigadores tentam definir o que motivou traficantes a fazerem a mistura com alta toxicidade e qual substância foi utilizada para adulterar a droga

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2022 | 11h04
Atualizado 03 de fevereiro de 2022 | 18h12

BUENOS AIRES - Um dia após hospitais da Grande Buenos Aires relatarem mortes por consumo de cocaína envenenada, autoridades argentinas ainda tentam entender por qual motivo traficantes distribuíram o carregamento da droga adulterada e qual substância foi utilizada na mistura. Entre quarta e quinta-feira, 22 pessoas morreram e mais de 70 precisaram de atendimento hospitalar após o consumo da cocaína, segundo o último boletim do Ministério da Saúde de Buenos Aires.

Autoridades de segurança pública não revelaram qual de linha de investigação está sendo seguida no caso, apesar das muitas especulações na imprensa argentina. O secretário de Segurança da Província de Buenos Aires, Sergio Berni, afirmou ser "muito precipitado" falar em uma disputa entre facções de narcotraficantes, enquanto o procurador-geral de San Martín, Marcelo Lapargo, afirmou que o envenenamento parece ter sido intencional.

"As pessoas dizem que isso acontece na América Central ou em outros lugares, mas (aqui) nunca. Pode ser um acerto de contas, mas é uma conjectura porque não temos antecedentes", declarou Lapargo à rádio Mitre.

Inicialmente, o jornal Clarín citou investigadores ao afirmar que era apurado se a droga teria sido contaminada com veneno de rato. Na tarde de ontem, um alerta epidemiológico oficial mencionava o consumo de cocaína adulterada com opiáceos.

Dez pessoas foram presas até o momento em uma casa que a polícia disse funcionar um ponto de venda de drogas na cidade de Tres de Febrero, a 40 quilômetros da capital. Investigadores acreditam que a cocaína foi adulterada e distribuída no local. Entre a madrugada e a manhã desta quinta, uma série de batidas policiais apreendeu 15 mil pacotes de cocaína - que, segundo o relato do La Nación, a polícia informou ter as mesmas características da droga que causou as mortes. Outros sete suspeitos foram presos durante as apreensões.

Fontes oficiais citadas por La Nación e Infobae confirmam que 49 pessoas seguiam internadas após o consumo de cocaína supostamente envenenada em hospitais de San Martín, Tres de Febrero, Tigre, General Rodríguez, Moreno, Morón, Ituzaingó, Hurlingham, San Isidro e Vicente López. Vinte e uma delas estão internadas com assistência respiratória mecânica.

"Há mortos em via pública e em residências que ainda não foram identificados", afirmou uma fonte da secretaria de Saúde da província citada pela agência de notícias France-Presse. As vítimas, que incluem vários homens com idades entre 30 e 40 anos, teriam sofrido convulsões violentas e paradas cardíacas, segundo relatos de médicos./COM AFP

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