Cocaleiros "destituem" governador de Cochabamba

O governador oposicionista de Cochabamba, na Bolívia, foi considerado "destituído" em um ato de apoio ao presidente Evo Morales nesta terça-feira, no centro da capital do departamento. Em uma votação classificada como "soberana" pelas lideranças do movimento que pede a renúncia do político desde a semana passada, cerca de 10 mil cultivadores de coca (cocaleiros) teriam apoiado a saída de Manfred Reyes Villa. O governador enfrenta forte oposição da população de origem indígena de Cochabamba - berço político de Evo - por seu apoio a realização de um referendo para dar maior autonomia ao estado.Reyes, que se "exilou" no estado vizinho de Santa Cruz, não volta a Cochabamba desde que os cocaleiros tomaram a praça central da cidade, na semana passada, para pedir sua renúncia. Na quinta feira, duas pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas em enfrentamentos entre manifestantes contrários e favoráveis à permanência do governador.Apesar de Reyes ter contado com o apoio de cerca de 250 mil eleitores em 2005, o governo boliviano defendeu o ponto de vista dos cocaleiros. Em entrevista nesta terça-feira, o vice-presidente Álvaro García disse que a assembléia deve ser "respeitada". Ainda assim, durante a assembléia, o dirigente José Caballero exigiu o apoio ao movimento do cardeal Terraza, que a pedido de Reyes tenta facilitar o diálogo. "É preciso escolher entre Deus e o Diabo", afirmou."Morram os proprietários dos meios de comunicação", disse, por sua vez, o dirigente cocaleiro Severo Huanca, embora sua colega Marisol Mariscal tenha reconhido que o movimento obrigou Reyes a fugir. "O fizemos escapar", indicou Mariscal.Governo totalitárioTambém nesta terça-feira, ex-presidente boliviano Jorge Quiroga disse em entrevista à Associated Press que o presidente busca estabelecer um "regime totalitário" no país. O líder opositor pediu o envio urgente à Bolívia de uma comissão da Organização dos Estados Americanos (OEA) para investigar acontecimentos que sustentariam a denúncia, e violariam a carta democrática da organização.Quiroga, principal dirigente do partido de oposição Podemos, disse que sua preocupação foi transmitida em uma carta ao secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, e que comunicou nesta terça-feira ao líder da Igreja Católica da Bolívia, cardeal Julio Terrazas."Há indicações de atitudes profundamente antidemocráticas, próprias de regimes antidemocráticos, totalitários´´, insistiu Quiroga. O líder oposicionista aponta as tentativas de remover Reyes, a recente designação de juízes da Corte Suprema de Justiça por decreto, a negativa de acatar a lei para a aprovação de uma nova Constituição e repetidos ataques a jornalistas como provas de suas reivindicações.

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