Juan Karita/AFP
Juan Karita/AFP

Cocaleiros se mobilizam com gritos de 'Volta, Evo!' em cidades na Bolívia

Sindicatos de produtores de coca promovem marchas e bloqueios de ruas para recolocar ex-presidente no cargo

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2019 | 23h06

COCHABAMBA, BOLÍVIA - A união de seis sindicatos de cocaleiros de Chapare, no Departamento de Cochabamba, principal região produtora de coca da Bolívia, anunciou nesta quinta-feira, 14, uma mobilização nacional para recolocar o ex-presidente Evo Morales no poder. A organização sempre apoiou o governo de Evo. 

Nas ruas de Cochabamba e na capital La Paz, manifestantes gritavam "Volta, Evo!" e "Áñez golpista, fora do palácio!", em referência à presidente interina Jeanine Áñez, que se proclamou em sessão esvaziada no Congresso dois dias depois da renúncia de Evo, acusado de ter sido reeleito em um pleito fraudulento em 20 de outubro, para o seu quarto mandato consecutivo. 

Andrónico Rodríguez, líder do movimento cocaleiro, disse que a presidência interina de Áñez é “inconstitucional” e resta um mandato ao ex-presidente, que deve ser cumprido até o fim e termina em 22 de janeiro de 2020. 

“Estaremos nas ruas até que nosso irmão Evo Morales retorne à presidência, porque ele ainda tem um mandato a cumprir até o dia 22 de janeiro de 2020”, disse Rodríguez, um jovem líder sindical de 29 anos. “Convocamos todas as organizações de Cochabamba e da Bolívia a defender a ordem constitucional.”

Segundina Orellana, outra líder dos cocaleiros de Chapare, disse que a mobilização é contra Jeanine, que “tem um coração racista”, segundo ela. “Estamos diante de uma ditadura desumana, sem consideração com as famílias. É hora de nos unirmos e lutarmos pela democracia”, disse. 

De acordo com Rodríguez, a mobilização começou nesta quinta com marchas e bloqueios de estradas e ruas em Cochabamba. Os protestos continuarão na sexta, sábado e domingo em La Paz, onde várias organizações sociais de 20 províncias estarão mobilizadas “em defesa da democracia”. “Nosso objetivo é que Evo possa retornar a partir de segunda-feira”, disse o líder sindical, que já foi considerado possível sucessor político de Evo.

Rodríguez foi quem ficou com Ringo, o cachorro vira-lata de pelo dourado e nariz cor-de-rosa adotado pelo ex-presidente da Bolívia. O animal não pôde embarcar no avião da Força Aérea Mexicana que levou Evo para o exílio. O jovem líder sindical postou nesta quinta fotos ao lado cão nas redes sociais.

Economia ilegal

As autoridades bolivianas calculam que existam cerca de 43 mil plantadores de coca na Bolívia, a maioria em Chapare. O cultivo é legal, porém limitado. A coca é usada para infusões e rituais religiosos, mas a maior parte acaba nas mãos de traficantes e é convertida em cocaína e seus subprodutos. Estima-se que mais de 90% da coca de Chapare seja usada na produção da cocaína. / AP, REUTERS e AFP

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