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Colégio Eleitoral dos EUA confirma Biden como presidente eleito

Votação é passo formal que reitera resultado das eleições de 3 de novembro

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2020 | 19h47

WASHINGTON - Às 17h28 desta segunda-feira, 14, no horário de Washington (19h28 no horário de Brasília), o democrata Joe Biden conquistou o número necessário de votos no Colégio Eleitoral que confirma sua eleição como presidente dos Estados Unidos. O voto do Colégio Eleitoral é um passo formal que reitera o que os americanos sabem desde 7 de novembro,  quando a apuração dos votos nos Estados apontou que Biden conquistou a maioria do voto popular e alcançou 306 dos 538 delegados. 

A eleição pelo Colégio Eleitoral, mais de um mês depois da apuração dos resultados, é um rito formal que não costuma atrair as atenções dos americanos. Neste ano, no entanto, com a recusa do presidente Donald Trump em admitir a derrota para Biden e a insistência do republicano em questionar na justiça resultados em Estados apertados, a confirmação dos delegados do Colégio Eleitoral ganhou importância.

Ao longo de toda a segunda-feira, delegados se reuniram em cada um dos Estados para confirmar a escolha dos eleitores. Nos EUA, o voto é indireto. No voto, os eleitores marcam o nome do candidato e, na prática, orientam o voto dos delegados no Colégio Eleitoral. Para se tornar presidente dos EUA, é preciso ter 270 dos 538 delegados. 

Em discurso agendado para a noite, Biden deve declarar que é "o momento de virar a página" da eleição de 2020. "A fé nas nossas instituições permaneceu. A integridade das eleições está intacta. E então, agora é hora de virar a página. De unir. De curar", deve dizer Biden, segundo trechos antecipados à imprensa. 

A votação de hoje aconteceu sem surpresas, como era esperado, com a confirmação pelos delegados da vontade registrada pelos eleitores. Com exceção do Nebraska e do Maine, o candidato que recebe maioria do voto popular em um Estado ganha a totalidade dos delegados estaduais no Colégio Eleitoral.

Biden recebeu 81,2 milhões de votos neste ano e acumulou 306 delegados, enquanto Trump conquistou 74,1 milhões de votos e 232 delegados. O primeiro Estado a reportar a votação do Colégio Eleitoral foi Vermont. 

No Michigan, a sede do legislativo estadual foi fechada para a realização da votação, por razões de segurança. Com receio de protestos, o governo local também assegurou que os delegados teriam escolta policial durante o dia. Estados onde Trump focou os esforços de judicialização, como Pensilvânia, Geórgia, Wisconsin e Arizona, confirmaram os resultados registrados no início de novembro, sem surpresas. 

Nos últimos 40 dias, o presidente tem acumulado uma série de fracassos nas tentativas de contestar o resultado da votação, mas não abandonou o argumento de que houve fraude na eleição, sem comprovar a suposição. No sábado, apoiadores do presidente fizeram uma manifestação em Washington para pressionar o Colégio Eleitoral. No domingo, Trump afirmou em entrevista à Fox que a luta ainda não havia acabado.

Há 33 Estados, além do Distrito de Columbia, que exigem legalmente que os delegados votem no candidato escolhido pelos eleitores. Em outros 17 Estados não há essa exigência, mas a probabilidade da existência de delegados infiéis, que desafiam a tradição e instituições políticas, sempre foi considerada remota. 

Ainda há mais uma etapa de formalização da eleição de Biden, antes de o democrata tomar posse. No dia 6 de janeiro, o Congresso conta oficialmente os votos da eleição em uma sessão conjunta entre Câmara e Senado presidida pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence. Depois disso, Biden toma posse no dia 20 de janeiro.

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