Luis Tato / AFP
Luis Tato / AFP

Eleitores do Zimbábue vão às urnas na primeira eleição desde a queda de Mugabe

Disputa está concentrada no atual presidente Emmerson Mnangagwa, do partido ZANU-PF, e no opositor Nelson Chamisa, representante do Movimento pela Mudança Democrática (MDC)

O Estado de S.Paulo

30 Julho 2018 | 03h05
Atualizado 30 Julho 2018 | 15h35

HARARE - Os eleitores do Zimbábue compareceram às urnas nesta segunda-feira, 30, para a primeira votação desde a queda do ex-presidente Robert Mugabe, que durante as quase quatro décadas em que permaneceu no poder arrastou o país para uma grave crise econômica.

Vinte e três candidatos disputam a presidência, em um pleito organizado junto às eleições legislativas e municipais.

Mas a batalha está concentrada no atual presidente, Emmerson Mnangagwa, ex-aliado de Mugabe e líder do partido ZANU-PF, e no opositor Nelson Chamisa, representante do Movimento pela Mudança Democrática (MDC).

Depois de permanecer na presidência desde a independência do Zimbábue em 1980, Mugabe, de 94 anos, foi obrigado a renunciar em novembro por seu próprio partido, com o apoio dos militares. As primeiras eleições da era pós-Mugabe provocaram um grande entusiasmo.

Expectativa

Na capital Harare, os eleitores, que usavam mantas para evitar o frio, formaram filas diante dos locais de votação três horas antes da abertura dos portões. O pleito prosseguirá até às 19h (14h em Brasília) e os resultados devem ser divulgados até o dia 4 de agosto.

"Estamos contentes com a saída de Mugabe, mas as coisas devem mudar", afirmou Tendau Ngowera, funcionário de uma empresa de tabaco que declarou voto em Chamisa. "O ZANU-PF está no poder há 37 anos. Vão continuar roubando, não vamos tolerar", completou.

"Vamos dar uma oportunidade a Emmerson Mnangagwa", afirmou Paddington Mujeyi, vendedor de perfume de 30 anos. "Nos últimos meses, vimos mudanças no que diz respeito à liberdade. Não somos perseguidos como nos tempos de Mugabe.”

Na véspera da eleição, Mugabe surpreendeu ao pedir que os votantes retirem do poder o seu partido e declarou apoio a Chamisa, de 40 anos, que recentemente assumiu a liderança do MDC, após a morte do dirigente histórico do partido, Morgan Tsvangirai, eterno rival de Mugabe.

Nas pesquisas, no entanto, o favorito é Mnangagwa, de 75 anos, um membro da elite do ZANU-PF que se apresenta como o homem da renovação para o Zimbábue, um país do sul da África prejudicado por uma grave crise econômica causada pela gestão de Mugabe.

Apesar das pesquisas, Chamisa tem a esperança de convencer os mais jovens a votarem por uma mudança e a darem as costas à velha guarda. / AFP

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