Thony Belizaire/AFP
Thony Belizaire/AFP

Cólera já ameaça atrasar calendário da eleição presidencial no Haiti

Efeito político. Diante de temporada de furacões e do rápido avanço da doença, autoridades do Haiti e da ONU temem que votação para presidente, marcada para o fim de novembro, tenha de ser postergada, dificultando ainda mais estabilização do país

Damaris Giuliana, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2010 | 00h00

O surto de cólera que já deixou 259 mortos e 3.342 infectados no Haiti pode obrigar o governo a adiar a eleição presidencial de 28 de novembro, comprometendo a estabilização do país mais pobre das Américas. Além do rápido avanço da doença, as forças de paz temem que a temporada de furacões, que começa agora, castigue ainda mais os acampamentos onde vivem 1,5 milhão desabrigados do terremoto de 12 de janeiro.

Segundo o comandante militar da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (Minustah), o general brasileiro Luiz Guilherme Paul Cruz, uma das preocupações é manter a segurança diante da crise sanitária. Neste momento, diz o general, há 100% de estabilidade. Mas, "se considerarmos o pior cenário (de pico da doença), nos traz preocupação". "Todo o esforço será feito para que nós tenhamos a eleição e possamos dar o atendimento a essa emergência", garante Paul Cruz.

A Organização das Nações Unidas (ONU) diz que é preciso esperar até no mínimo quinta-feira para saber o tamanho da crise - o período de incubação da doença é de sete dias e 90% dos casos são assintomáticos.

As agências das ONU, em coordenação com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Haiti, têm condições de atender até 100 mil casos de cólera sem necessidade de recursos financeiros complementares. O governo haitiano, no entanto, negocia doações de medicamentos com diversas embaixadas (mais informações nesta página).

Militares. Os capacetes-azuis estão trabalhando sob a orientação do escritório de coordenação de ajuda humanitária da ONU em atividades de apoio, como campanhas educativas de prevenção da doença, distribuição de pastilhas para a limpeza da água e treinamento de líderes comunitários para a disseminação da informação. Além disso, há o apoio logístico para viabilizar o trabalho de médicos.

"Temos quase 9 mil homens e uma quantidade de meios razoáveis em todo o país, então temos a possibilidade de prestar assistência àquelas agências especializadas", explica Paul Cruz.

Brasileiros, chilenos, equatorianos e japoneses da engenharia militar estão montando três centros de atendimento na região de Saint Marc, norte do Haiti, que serão usados por médicos da cooperação cubana. As instalações devem ficar prontas em três dias. O tempo para a montagem desses equipamentos e de hospitais de campanha varia de acordo com as condições do terreno e o maquinário que terá de ser enviado ao local.

A abertura de outros postos de atendimento depende de coordenação entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) com organizações não governamentais, aponta o general. "Somos mais um parceiro nesse esquema que está sendo montado, mas temos gente e recursos que facilitam nossas ações."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.