Andrés Martínez Casares/Efe
Andrés Martínez Casares/Efe

Cólera já matou 142 no Haiti

Segundo ministério da Saúde, refugiados de terremoto são mais vulneráveis à doença

AE-AP, Agência Estado

22 de outubro de 2010 | 12h04

Pelo menos 142 pessoas morreram e cerca de mil estão hospitalizadas no Haiti, devido à epidemia de cólera, segundo informações do Ministério da Saúde local.

 

Esta é a pior crise de saúde registrada no país desde o violento terremoto ocorrido em janeiro, que desabrigou um milhão de pessoas. A epidemia afeta principalmente a região rural de Artibonite, que recebeu milhares de refugiados do terremoto e sofre com a falta de saneamento básico. Muitas pessoas têm vivido ali até hoje em acampamentos improvisados.

Hoje, grupos de ajuda humanitária se mobilizam para levar remédios e outros suprimentos às pessoas afetadas. "Nós estamos temendo um surto desse tipo desde o terremoto", disse Robin Mahfood, presidente da entidade Alimento para os Pobres, que prepara voos com doações de antibióticos, hidratantes e outros suprimentos.

Muitos dos doentes foram até o Hospital St. Nicholas, na cidade costeira de Saint Marc, onde centenas de pacientes com desidratação repousavam sobre cobertas em um estacionamento do hospital, recebendo medicamentos intravenosos em seus braços enquanto esperavam por outros tratamentos. O diretor do Ministério da Saúde, Gabriel Thimothe, disse que testes em laboratório confirmaram que a doença é o cólera.

"A preocupação é que ela possa ir de um lugar para outro, e isso pode afetar mais pessoas ou se mudar de uma região para outra", advertiu o presidente da Associação Médica do Haiti, Claude Surena. O cólera é uma infecção bacteriana que se dissemina pela água contaminada. A doença causa diarreia e vômitos que podem levar à desidratação e à morte em algumas horas. O tratamento inclui a reidratação.

Há décadas não ocorria uma epidemia de cólera no Haiti, segundo o Centro para Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos. Autoridades haitianas, incluindo o presidente René Préval, apontavam a falta de epidemias como um suposto sucesso da resposta oficial ao terremoto. Mais de um milhão de pessoas ficaram desabrigadas pelo desastre, mas especialistas advertiam que a doença poderia atingir os campos de desabrigados, onde ninguém recolhe o lixo adequadamente e há acesso limitado à água potável.

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