Cólera mata mais de mil pessoas em Angola

O número de mortes por causa de um surto de cólera em Angola chegou a 1.034 e a doença já se espalhou em 10 das 18 províncias do país, informou um oficial de saúde nesta quarta-feira. As autoridades já registraram mais de 25 mil casos da doença em todo o país desde o início do surto em meados de fevereiro, afirma o porta-voz da Organização Mundial da Saúdes, Jose Caetano.Caetano disse que os atrasos na coleta de informações de regiões isoladas levam os oficiais a acreditar que o número de afetados é maior. "É possível que existam mais mortos que o número revelado". As autoridades em Luanda estão registrando cerca de 400 novos casos por dia", acrescentou o porta-voz. As atitudes culturais em relação à doença e as estradas castigadas pelas recentes chuvas tornaram difícil para o Ministério da Saúde e organizações não-governamentais realizarem estatísticas atualizadas. "Existem pessoas isoladas em vilarejos que acreditam que a doença deve ser escondida. Outras têm problemas de transporte, vivem em áreas remotas onde ambulâncias e equipes medicas não conseguem alcançar".Combate à doençaA cólera é a maior causa de morte em países subdesenvolvimento, pois é transmitida por água contaminada e está associada à higiene precária e saneamento inadequado. A infra-estrutura pública de Angola, incluindo seu sistema de saúde, entrou em colapso durante a guerra civil de duas décadas, que terminou em 2002. A doença pode ser tratada facilmente se os pacientes forem reidratados rapidamente. As equipes médicas da OMS e outras ONG´s como a Médicos Sem Fronteiras estão ajudando o governo local no tratamento dos doentes. Caetano disse que a OMS enviou 7 toneladas de remédios para ajudar os estoques locais. Segundo ele, não há escassez de medicamentos. O Ministério da Saúde implementou centros de tratamento temporários nas principais cidades das áreas afetadas. O governo lançou uma campanha para informar as pessoas sobre como combater a doença. Centenas de voluntários de todo o país estão indo de porta em porta e explicando sobre a cólera, disse Caetano.A previsão do fim da temporada de chuvas no fim de maio traz esperança de que o surto seja amenizado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.