Cólera pode agravar miséria do Haiti após terremoto

PORTO PRÍNCIPE - A epidemia de cólera que assola o Haiti já deixou pelo menos 250 pessoas mortas e mais de 3 mil doentes e pode se expandir os miseráveis campos em Porto Príncipe, onde vivem 1,3 milhão de sobreviventes do terremoto de janeiro no Haiti. Autoridades de saúde e funcionários humanitários lutam para evitar que as duas tragédias se mesclem, multiplicando o número de mortos e deixando a nação ainda mais miserável.

AE-AP, Agência Estado

25 de outubro de 2010 | 11h54

 

Cinco casos de cólera foram registrados na capital do Haiti, elevando o temor de que a doença possa se espalhar pelas áreas com barracas semelhantes a favelas, onde há problemas de higiene, falta de saneamento e pobreza generalizada. Funcionários do governo disseram ontem, porém, que aparentemente todos os cinco contraíram o cólera fora de Porto Príncipe, e disseram que a doença bacteriana poderia ficar confinada às áreas rurais onde a epidemia se iniciou, na semana passada.

 

"Não é difícil evitar a disseminação em Porto Príncipe. Nós podemos evitá-la", disse um alto funcionário do Ministério da Saúde, Gabriel Timothee. Segundo ele, limites à movimentação dos doentes e um destino cuidadoso para os corpos das vítimas podem evitar um desastre maior.

 

Caso o cólera chegue aos campos de refugiados, "o pior caso seria que nós tenhamos centenas de milhares de pessoas adoecendo ao mesmo tempo", disse Claude Surena, presidente da Associação Médica do Haiti. O cólera pode causar vômitos e diarreia tão intensos que pode matar por desidratação em algumas horas.

 

Os funcionários humanitários notam que o risco é aumentado pela extrema pobreza dos desabrigados pelo terremoto de 12 de janeiro, que matou até 300 mil pessoas e destruiu boa parte da capital. "As condições de transmissão são muito maiores" nessas áreas, notou Michel Thieren, um funcionário da Organização Pan-Americana de Saúde no Haiti.

 

A doença não ocorria no Haiti havia décadas, por isso muitas pessoas não sabiam lidar com o problema. Autoridades e funcionários humanitários têm distribuído itens como sabão para evitar a doença, além de orientar como se deve agir diante de possíveis vítimas.

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