REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Chavistas armados invadem Congresso e ferem cinco deputados opositores

Deputados da Assembleia Nacional só conseguiram sair da sede do Legislativo após permanecerem mais de sete horas cercados pelo grupo de simpatizantes do governo

O Estado de S.Paulo

05 Julho 2017 | 13h48
Atualizado 05 Julho 2017 | 23h46

CARACAS -  Um grupo de entre 80 e 200 militantes chavistas invadiu nesta quarta-feira, 5,  a Assembleia Nacional venezuelana armado com paus, bombas caseiras e armas de fogo e agrediu parlamentares opositores, jornalistas e funcionários do Legislativos. Ao menos 15 pessoas ficaram feridas, entre elas cinco deputados. Um deles teve se ser internado. 

O presidente Nicolás Maduro condenou a violência, mas considerou o episódio “estranho”. A oposição qualificou o episódio de um novo passo do autoritarismo chavista. Os parlamentares feridos são Américo de Grazia, Nora Bracho, Armando Armas, Luis Carlos Padilla e Leonardo Regnault. De Grazia sofreu traumatismo craniano, desmaiou e teve costelas fraturadas, mas não corre risco. 

Alguns opositores e servidores do Legislativos reagiram às agressões e trocaram socos com os chavistas. Ao menos um partidário do governo ficou ferido e coberto de sangue.

 

O ataque sinaliza um passo além na escalada de violência na Venezuela, envolta desde abril em violentos protestos de rua contra o governo, que já deixaram 91 mortos e 1,4 mil feridos. Não é a primeira vez que os chamados coletivos chavistas agridem políticos da oposição, mas a invasão da Assembleia Nacional, seguida de confronto, é inédita.

 

A coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) responsabilizou oficiais da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) - subordinada ao governo - por facilitar a entrada dos chavistas nas dependências do Parlamento. 

“Os coletivos entraram batendo em todo mundo. Um fotógrafo foi derrubado e teve a câmera roubada”, contou Jennifer López, funcionária da Assembleia. “Várias pessoas foram agredidas com pedaços de ferro e madeira. Havia buracos de bala nas paredes.”

Alguns manifestantes, com os rostos cobertos, fizeram disparos contra o ar e outros lançaram bombas caseiras nos jardins do prédio. Alguns funcionários do Parlamento tentaram assustá-los com extintores de incêndio. 

 

A MUD controla o Parlamento desde 2015, mas suas ações são boicotadas por Maduro e pelo Tribunal Supremo de Justiça, leal ao chavismo. Hoje, os deputados realizariam uma comemoração do Dia da Independência, frustrada pelo governo. 

Depois de sete horas de cerco, os chavistas foram retirados do prédio. “Ficamos reféns dos grupos armados do regime”, disse, no começo da noite, o deputado Juan Guaidó. 

Imagens que circulavam nas redes sociais mostravam as paredes sujas de sangue e cartuchos de bala nos corredores do prédio. “Quase 100 jovens morreram nessa confusão”, disse o deputado Armando Armas. “Uns socos não são nada.”

Repúdio. Maduro, que participou do Desfile da Independência em outra área de Caracas, condenou a violência. “Quero paz para a Venezuela. Não aceito violência de ninguém”, disse. “Quero que se investigue a verdade.”

O presidente do Parlamento, Julio Borges, chamou o presidente de covarde. “Um governo que faz isso é um governo débil”, afirmou. 

 

Membro de um coletivo chavista e apresentador de um programa na TV estatal, o militante Oswaldo Rivero assumiu a responsabilidade pela invasão. “Nos esconderam a comida e nos atacam com terrorismo”, disse, em referência à oposição. “Eles são contra o povo.”

 Mais cedo, membros do governo chavistas supreenderam o Parlamento e organizaram um ato surpresa na Assembleia Nacional, capitaneado pelo vice-presidente Tareck El Aissami, que chegou acompanhado do ministro da Defesa e chefe da Força Armada, Vladimir Padrino López, assim como de membros do gabinete e de partidários chavistas.

Aissami fez um discurso de cerca de 15 minutos, no qual acusou a oposição de “sequestrar” o Poder Legislativo. Os adversários de Maduro dominam a Casa, com folga, desde sua esmagadora vitória nas urnas em dezembro de 2015. “Essa oligarquia traiu Bolívar e sua causa”, disse o vice-presidente / W. POST, AP, EFE e AFP

 

Mais conteúdo sobre:
Nicolás Maduro Venezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.