CARLOS BRIGO/AFP
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Coligação de Macri vence eleições legislativas na Argentina

Ex-presidente Cristina Kirchner ganha uma das três vagas da Província de Buenos Aires no Senado, mas teve menos votos que Esteban Bullrich, candidato governista; resultado coloca presidente em vantagem para novo mandato em 2019 e diminui espaço político do kirchnerismo

Luciana Dyniewicz, Enviada Especial / Buenos Aires , O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2017 | 21h09
Atualizado 23 Outubro 2017 | 00h11

O presidente Mauricio Macri se consolidou neste domingo, 22, como força política dominante na Argentina, após as eleições legislativas. No início da madrugada, com 97% das urnas apuradas, a coalizão Cambiemos, de Macri, tinha 42% dos votos, enquanto o kirchnerismo estava com 21,75% e o peronismo, com 14,8%. 

Na disputa mais importante do país, a escolha das três vagas da Província de Buenos Aires no Senado – que concentra quase 40% do eleitorado do eleitorado nacional –, o candidato macrista, o ex-ministro de Educação Esteban Bullrich, tinha 41,3%. A ex-presidente Cristina Kirchner estava com 37,2% – o suficiente para ser eleita, mas abaixo do que precisava para poder reivindicar uma vitória. 

Macri conseguiu ainda eleger parlamentares em províncias em que havia sido derrotado nas primárias, em agosto, como em Salta. O resultado é o melhor já alcançado pelo presidente – em 2015, ele foi eleito presidente com pouco mais de 50% dos votos, contra 48% do então candidato de Cristina, Daniel Scioli. 

Macri amplia assim suas chances nas eleições presidenciais de 2019, já que as legislativas costumam apontar o resultado da disputa para presidente. O segundo lugar em Buenos Aires tornou mais difícil a volta do kirchnerismo à Casa Rosada, daqui a dois anos. O peronismo – movimento político do qual Cristina sempre fez parte, mas do qual se afastou – também saiu enfraquecido. 

Com cerca de 2 milhões de habitantes, La Matanza, na Província de Buenos Aires, é o segundo maior município argentino em população, atrás apenas da capital do país, e concentra 4% do total de eleitores. Por seu tamanho e por ser governada por peronistas desde o retorno à democracia, em 1983, recebeu o apelido de “Capital Nacional do Peronismo”.

Ontem, porém, apesar das centenas de cartazes com propagandas de candidatos peronistas espalhados pela cidade, eles não foram unanimidade. Além de Cristina, o peronista Sergio Massa, Margarita Stolbizer – que se apresenta como uma terceira via – e Bullrich foram os candidatos mais citados por eleitores ouvidos pelo Estado.

“Votei em Massa, porque Cristina e Macri são corruptos”, disse o aposentado Andres Jelen, que nas últimas eleições havia votado em Cristina. A ex-presidente é investigada na Justiça sob suspeita de corrupção.

Também em La Matanza, Augusto Soria, de 55 anos, afirmou ter votado em Bullrich por causa dos indícios de corrupção no governo kirchnerista e por melhoras em infraestrutura que foram feitas depois que Macri chegou ao poder: “O governo (do presidente) vai bastante bem. Olhe o corredor de ônibus que colocaram aqui (na cidade).”

Na cidade de Vicente López, governada pelo prefeito Jorge Macri (primo do presidente), o técnico de filmagem Diego Falcón, de 47 anos, disse ter “votado no presidente”. Apesar de Macri não concorrer a nenhum cargo, ele foi às ruas nos últimos meses para pedir votos para Bullrich. Falcón disse que era eleitor de Cristina, mas que agora, diante dos indícios de corrupção, mudou de lado. “Com Macri, as coisas não melhoraram, mas pelo menos há essa mensagem de que não se deve roubar.” 

Pontapé

Além de renovar metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, votação na Argentina é um termômetro de popularidade para os dois maiores rivais políticos do país, a ex-presidente Cristina Kirchner e o atual presidente, Mauricio Macri. Portanto, para muitos analistas, o que está em jogo é o pontapé inicial da corrida presidencial de 2019.

Desde 1983, quando a Argentina se redemocratizou, das sete eleições legislativas que ocorreram, seis anteciparam o resultado da eleição presidencial seguinte. Cristina tem ainda um incentivo a mais: se for eleita para o Senado, passa a ter prerrogativa de foro. Isso dificultaria uma prisão em caso de avanço das investigações contra ela na Justiça.

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