Colômbia: 170 pessoas seqüestradas e 10 mortas pelas Farc; exército nega

O governador do departamento (estado) colombiano de Chocó, Julio Ibargüen, informou nesta sexta-feira que cerca de 170 pessoas foram seqüestradas e dez assassinadas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no noroeste do país. Segundo o governador, os seqüestrados estariam sendo utilizados como "escudos humanos". O político divulgou esses números após ter sido informado sobre o seqüestro de camponeses e madeireiros em uma zona rural do município de Riosucio.Um grupo inicial de cerca de 35 camponeses foi seqüestrado na quarta-feira passada pelos guerrilheiros que enfrentam uma facção paramilitar, segundo as autoridades locais.Os camponeses foram detidos em Taparal, área do rio Tuando, onde a frente 57 das Farc tem uma disputa territorial com paramilitares do bloco Elmer Cárdenas das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC, de extrema direita). "O que aconteceu foi um massacre. São 170 seqüestrados e dez mortos, assassinados pelas Farc", disse Ibargüen à "Radio Cadena Nacional". De acordo com o governador, "eram cerca de 60 pessoas, mas na hora foram levados mais de 110 pessoas, todos serradores".Antes das declarações do governador, o secretário de Governo do mesmo território, Freddy Lloreda, tinha declarado que o Exército colombiano tenta resgatar cerca de 30 camponeses utilizados como escudos humanos pelas Farc. Números exagerados O Exército colombiano desmentiu o governador e disse que o número de 170 seqüestrados no departamento de Chocó "é exagerado", pois cerca de 57 apareceram depois, mas confirmaram a morte de cerca de dez pessoas pelas Farc. O comandante das Forças Militares, general Carlos Alberto Ospina, disse aos jornalistas em Bogotá que não há tantos seqüestrados, e que "57 pessoas dadas como seqüestradas, estavam escondidas e foram aparecendo" após a chegada de tropas à região.Sobre os seqüestrados, o chefe do Estado-Maior Conjunto dasForças Militares, general Freddy Padilla, disse que "posso dizer que os números (...) não correspondem à realidade", mas confirmou que foram encontrados de oito a dez mortos.Padilla ressaltou que foi um número "exagerado", e acrescentou que, com a chegada das tropas a essa região - cerca de 500 quilômetros ao noroeste de Bogotá - o ocorrido começa a se esclarecer.Líder capturado A polícia colombiana capturou ainda nesta sexta-feira o chefe da frente 48 das Farc, Rigoberto Jecanamijoy Noa, conhecido como "A aranha". Rigoberto é acusado por 300 atentados contra oleodutos e de participar da morte de 50 soldados e policiais. Segundo o chefe do Departamento de Polícia Judicial (Dijin), general Oscar Naranjo, o chefe das FARC foi preso na zona rural de Puerto Asís, cerca de 1.100 quilômetros ao sul de Bogotá, no departamento de Putumayo, fronteira entra o Equador e o Peru.Naranjo informou que Rigoberto, um especialista em explosivos, tem uma longa ficha criminal desde 1997 e que trabalha à serviço das FARC. O general fez as declarações em Medellín, no nordeste do país, logo depois de informar a prisão ao presidente Alvaro Uribe.A prisão ocorreu depois de seis meses de investigações da polícia com colaboração da Promotoria Geral da Nação, disse Naranjo, que acrescentou que o preso será transferido para Bogotá.

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