Courtesy of Colombian Presidency/Handout via REUTERS
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Colômbia acusa ELN pelo atentado com carro-bomba em Bogotá

Ministro da Defesa, Guillermo Botero, diz que ato terrorista que deixou ao menos 20 mortos e 68 feridos foi cometido pela guerrilha de extrema esquerda; governo suspende negociações para retomar diálogos com o grupo

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2019 | 11h19
Atualizado 18 de janeiro de 2019 | 20h02

BOGOTÁ - O governo da Colômbia responsabilizou nesta sexta-feira, 18, a guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN), de extrema esquerda, pelo maior atentado terrorista ocorrido na Colômbia desde 2003. Na quinta-feira, um carro-bomba com 80 quilos de explosivos invadiu uma academia de polícia e deixou 21 mortos e 68 feridos na capital

“O Ministério Público imputará responsabilidade aos membros do Coce (Comando Central) do ELN”, disse o procurador-geral, Nestor Humberto Martínez. O ministro da Defesa, Guillermo Botero, também confirmou que não haverá diálogos de paz enquanto o ELN não se comprometer a interromper os atentados e libertar os 17 sequestrados que estão em seu poder. 

O novo atentado arrisca enterrar de vez as negociações de paz. O presidente Iván Duque deve anunciar em breve sua posição sobre o diálogo. “O governo sabe e entende que o ELN não tem vontade de paz”, disse nesta sexta-feira, 18, o encarregado para a paz, Miguel Ceballos. “Frente ao terrorismo, o presidente Duque e seu governo não vão ceder. Não vamos negociar.”


O ELN iniciou conversas de paz com o governo anterior, de Juan Manuel Santos. Apesar das negociações, o grupo não deixou de promover ataques – foram dez desde 2010, três desde a vitória de Duque. Depois de tomar posse, em agosto, o presidente colombiano disse que a interrupção das hostilidades era condição para a continuidade das negociações.

A polícia identificou o autor do ataque como José Aldemar Rojas Rodríguez, conhecido nas fileiras do ELN como “Mocho” ou “Kiko”, por haver perdido a mão direita em uma detonação. Ele era chefe de inteligência na Frente Domingo Laín, que opera no Departamento de Arauca, na fronteira com a Venezuela. 

Na madrugada de sexta-feira, a polícia prendeu um homem suspeito de envolvimento no caso. Ricardo Carvajal foi localizado no bairro Los Laches. Segundo Martínez, interceptações telefônicas revelaram a participação do homem no atentado. Carvajal confessou e será indiciado por homicídio e terrorismo.

As autoridades já trabalhavam desde quinta-feira com a hipótese de Rojas ser o responsável pelo ataque. Nascido em 1962, ele se juntou à organização insurgente há 25 anos. Em 2003, se tornou um perito de explosivos da ELN, segundo os militares.

A residência de Rojas era a aldeia de Boja de Cubará, área limítrofe com Arauca, na fronteira venezuelana, onde a presença do ELN é muito forte. Documentos obtidos pelo jornal colombiano El Tiempo apontam que o autor do atentado se movimentava por vários municípios de Boyacá e Tolima, além de Arauca, onde comprou a caminhonete usada no ataque. 

“Em 2011, ele continuou sendo instrutor de cursos para especialistas em explosivos em Arauca, com viagens para a Venezuela para ensinar membros do ELN que estavam naquele país a lidar com explosivos”, disse Botero.

O governo colombiano não informou se suspeitava de envolvimento da Venezuela. “O Ministério Público não dispõe de provas de responsabilidade transfronteiriça, mas temos informações que estabelecem a presença de comandantes do ELN em território venezuelano”, afirmou o procurador-geral.

O Ministério da Defesa confirmou que Rojas tentou se aproveitar dos benefícios do processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2015. Ele tentou ingressar na organização três vezes para se beneficiar da anistia. O ministro confirmou que ele foi rejeitado e seguiu no ELN, guerrilha que tem várias células urbanas e faz parte da lista de grupos terroristas dos EUA e da União Europeia.

Vários testemunhos ligam Rojas ao Bloco de Guerra Oriental do ELN, que está sob comando de um homem conhecido como “Pablito”, considerado um dos chefes mais beligerantes da organização, com amplas conexões com a Venezuela. “Pablito” chefia cerca de 60% da força armada do ELN e é o chefe mais poderoso do grupo graças a negócios do narcotráfico na fronteira. / AFP e REUTERS

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