Colômbia anuncia libertação de 2 ex-rebeldes das Farc

O governo do presidente Álvaro Uribe concordou em libertar dois ex-membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para que sejam "gestores da paz" na desmobilização de guerrilheiros e em sua reinserção à vida civil. Em razão da burocracia desses processos, não ficou determinado quando os ex-guerrilheiros serão libertados. Porém, ativistas de direitos humanos criticaram a decisão do governo por considerar que os ex-rebeldes deveriam, primeiro, acertar suas contas com a Justiça. Em um comunicado do Ministério do Interior divulgado ontem, o governo havia dito que concordou em "suspender a reclusão" de Elda Mosquera, conhecida como "Karina", e de Raúl Agudelo, apelidado "Olivo Saldaña", que fizeram parte das Farc. Karina havia se entregado para as autoridades e Agudelo foi capturado. Segundo nota do ministério divulgada em sua página na internet, os dois "expressaram formalmente sua vontade de paz de renunciar a toda atividade ilegal". A decisão oficial não foi a primeira a suspender a prisão de um guerrilheiro para que colabore com desmobilizações ou na gestão da paz, mas é a mais recente na qual rebeldes expressaram publicamente seu desejo de não retornar às fileiras das Farc. Agudelo, por exemplo, foi libertado temporariamente no final de 2005 para colaborar com a desmobilização de uma unidade rebelde de 70 guerrilheiros das Farc. A libertação de Agudelo e de Karina podem ser suspensas caso eles cometam algum delito ou burlem a vigilância das autoridades penitenciarias, disse, pelo telefone, o vice-ministro da Justiça, Miguel Ceballos. Ele explicou que os dois ex-rebeldes foram escolhidos para serem libertados por terem colaborado com a Justiça. Eles confessaram crimes e pediram publicamente que outros rebeldes se desmobilizem, mas a medida faz parte do compromisso do governo de conceder benefícios judiciais a rebeldes que abandonem a guerrilha. CríticasKarina, acusada pela Justiça de homicídio, terrorismo e rebelião, entre outros delitos, entregou-se às autoridades em maio, assegurando que era perseguida pelas tropas militares e que estava assustada com o assassinato de um dos chefes das Farc por seu guarda-costas. Em fevereiro, um tribunal condenou Karina - que permanece detida na sede da polícia secreta de Bogotá - a 33 anos de prisão por sua participação em um ataque a um posto policial de um povoado do departamento de Caldas, noroeste do país, em julho de 2000. Treze policiais e três civis foram mortos segundo a promotoria geral. Agudelo, capturado pelo Exército em agosto de 2004, está detido na prisão La Picota, ao sul de Bogotá. A decisão de deixá-los livres foi criticada por ativistas de direitos humanos que dizem que os ex-guerrilheiros deveriam antes pagar suas contas com a Justiça. A medida governamental envia uma "mensagem complicada, porque as vítimas dessas pessoas, que cometeram graves infrações ao direito internacional (humanitário), devem pensar que seus direitos não valem nada", disse, pelo telefone Gloria Florez, diretora da organização não-governamental Promoção Social Alternativa (Minga), que trabalha com vítimas do conflito armado.

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