Salvatore Di Nolfi/Efe
Salvatore Di Nolfi/Efe

Colômbia cassa senadora que negociava libertação de reféns com as Farc

Piedad Córdoba é acusada de colaborar com a guerrilha e ficará 18 anos sem ocupar cargos públicos

estadão.com.br,

27 de setembro de 2010 | 15h33

BOGOTÁ - A Procuradoria Geral da Colômbia cassou a senadora Piedad Córdoba, do Partido Liberal, por colaboração com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), informaram nesta segunda-feira, 27, as autoridades em comunicado. Ela está impedida de ocupar cargos públicos por 18 anos.

 

Piedad é acusada de promover as Farc e colaborar com a guerrilha. "A investigação teve origem nos achados dos aparelhos eletrônicos confiscados na Operação Fênix, quando foi abatido Raul Reyes", então líder das Farc, informou a Procuradoria.

 

Córdoba afirmou que é "inocente" e que a medida do Ministério Público "é mais uma mostra da perseguição política" realizada contra ela.

 

"Esta atuação é mais uma mostra da perseguição política realizada contra mim nos últimos 12 anos", disse a senadora através de um comunicado publicado em sua página na web.

 

Os investigadores cruzaram documentos dos rebeldes e da senadora, que se identificava como Teodora, Teodora de Bolívar, Negra ou Negrita. Segundo a Procuradoria, "a parlamentar se excedeu em suas funções assim como na autorização dada pelo governo para gerenciar o intercâmbio humanitário", de acordo com informações do diário El Tiempo.

 

A Procuradoria anunciou que as informações foram comprovadas de acordo com dados enviados pela Corte Suprema e pela Promotoria. Além disso, informou o órgão, "foram levadas em conta as saídas da senadora do país, interceptações autorizadas de ligações telefônicas a guerrilheiros e a declaração de Viktor Tomnyuuk, infiltrado ucraniano, que teve contatos com um comandante dos rebeldes".

 

"Por estes atos, o Ministério Público estabeleceu com convicção que a senadora deu conselhos ao grupo, como não enviar vídeos de pessoas sequestradas pelos guerrilheiros, e sim gravações de voz dos prisioneiros, para uma melhor estratégia em busca de seus objetivos. Também deu às Farc informações à margem da lei sobre assuntos diferentes da liberação dos sequestrados, entre eles possíveis doações de governos estrangeiros a departamentos colombianos", diz o comunicado.

 

Ainda segundo a Procuradoria, Piedad "instruiu e solicitou às Farc que desse provas de vida dos sequestrados para favorecer governos de outros países. Assim, fez declarações em diferentes atos públicos para promover e favorecer os interesses deste grupo subversivo".

 

Piedad participou da negociação para a libertação de uma série de reféns da guerrilha, inclusive de Clara Rojas e Consuelo Rodriguez.

 

Com informações da agência Efe

 

Atualizado às 22h58

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