Colômbia chora assassinato do arcebispo de Cali

A Colômbia chora neste domingo o assassinato, por dois atacantes não-identificados, do arcebispo de Cali, Isaías Duarte Cancino. O atentado silenciou uma voz que vinha criticando os rebeldes esquerdistas e a infiltração do dinheiro do narcotráfico na política.Aos 63 anos, o querido e respeitado bispo acabava de presidir uma cerimônia de casamento coletivo noturno na igreja do Bom Pastor, num bairro operário de Cali, e se dirigia ao seu automóvel, quando foi alvejado pelos tiros dos atacantes.Nenhum grupo colombiano assumiu o atentado. O assassinato, na noite deste sábado, de Monsenhor Isaías Duarte - o mais alto representante da hierarquia eclesiástica morto no conflito colombiano de 40 anos - produziu tristeza e medo no país predominantemente católico e reações por parte da Conferência Episcopal colombiana e do Vaticano.A Conferência Episcopal pediu aos fiéis serenidade e cordura nesses momentos difíceis, enquanto no Vaticano o papa João Paulo II expressou seu pesar pela morte do prelado, que qualificou como um homem generoso e valente. "Ele pagou com tão alto preço sua enérgica defesa da vida humana, sua firme oposição a todo tipo de violência e sua dedicação à promoção social, de acordo com as raízes do Evangelho", disse o pontífice.Ao mesmo tempo, prossegue a ofensiva do exército contra a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) - que neste domingo, através da entrevista de um de seus líderes, Rodolfo Gonzáles, a um jornal venezuelano, considerou o aumento dos seqüestros e outros atos de violência - ataques contra usinas e torres de eletricidade, pontes e outros alvos civis - como "atos de guerra" e não de terror, e advertiu que haverá um recrudescimento desses atos.Em entrevista ao jornal El Universal, de Caracas, González qualificou Alvaro Uribe, o candidato presidencial que lidera as pesquisas para as eleições de maio na Colômbia de "fascista" e disse que as FARC não libertarão outra candidata à presidência que foi seqüestrada pelo grupo enquanto o governo não libertar os rebeldes das FARC detidos pelo Estado.

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