Colômbia coloca canais públicos à disposição de candidatos

Um dia depois da tentativa de assassinato contra o favorito nas eleições presidenciais de 26 de maio na Colômbia, Alvaro Uribe, o governo colombiano propôs hoje aos candidatos a utilização dos três canais públicos de TV para diminuir o risco de novos ataques e seqüestros.Uribe - um dissidente do Partido Liberal acusado de cooperar com os paramilitares direitistas e de uma política de mão de ferro com os guerrilheiros esquerdistas - escapou ileso no domingo de um ataque com um ônibus-bomba, que deixou 3 mortos e 20 feridos, após um comício em Barranquilla.Outra candidata presidencial, a do Partido Oxigênio Verde, Ingrid Betancourt, foi seqüestrada pela guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em fevereiro quando se dirigia a San Vicente del Caguán - na área desmilitarizada controlada pelas Farc até o rompimento do diálogo de paz entre os rebeldes e o governo - para um comício de campanha."Propomos a todos os candidatos mudar a estratégia de campanha por meio de uma participação mais ampla nos três canais públicos de televisão, que lhe oferecem uma cobertura maior e menos arriscada para suas vidas", disse o ministro do Interior, Armando Estrada. O ministro acrescentou que, caso os candidatos decidam prosseguir realizando comícios em praça pública, o governo reforçará a escolta, veículos blindados e equipamentos de segurança.O candidato que ocupa o segundo lugar nas pesquisas, Horacio Serpa, do Partido Liberal, disse acreditar que todos os aspirantes à presidência estão em risco com o aumento da intensidade do conflito armado que já dura 38 anos e, na última década, deixou cerca de 35.000 mortos.O ataque de domingo, atribuído às Farc, somou-se a outros ataques frustrados contra Uribe. Em setembro de 2001, também em Barranquilla, uma bomba explodiu durante a passagem de sua caravana, sem deixar feridos.O candidato a vice na chapa de Uribe, Francisco Santos, declarou que o planejamento da campanha deve ser revisto. "Imagino que muitos dos atos terão de ser transferidos para locais fechados, com muita segurança na entrada", afirmou.Uma pesquisa divulgada hoje, realizada antes do atentado a Uribe, indicava que ele mantinha a liderança, com 46,1% dos votos, seguido de Serpa, com 18%, e Noemí Sanín, independente, com 9,2%.Os candidatos se reuniram hoje com o presidente colombiano, Andrés Pastrana, para discutir questões ligadas à segurança da campanha. Pastrana - do Partido Conservador, cujo candidato presidencial renunciou para apoiar Uribe - deve encontrar-se nesta terça-feira, em Washington, com o presidente norte-americano, George W. Bush. Ele pedirá a extensão da cooperação militar dos EUA contra o narcotráfico à luta contra as guerrilhas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.