AP Photo/Dolores Ochoa
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Colômbia e ELN acertam cessar-fogo bilateral de 3 meses às vésperas de visita do papa

Em sua conta no Twitter, Exército de Libertação Nacional publicou mensagem agradecendo os esforços de todos os envolvidos nas negociações; presidente Juan Manuel Santos informou que acordo valerá, inicialmente, de 1º de outubro até 12 de janeiro

O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2017 | 10h50
Atualizado 04 Setembro 2017 | 11h35

QUITO - O governo da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional (ELN), que mantêm negociações de paz no Equador, acertaram um cessar-fogo bilateral, anunciou nesta segunda-feira, 4, a guerrilha, às véspera da visita do papa Francisco ao país.

"Sim, podemos! Agradecemos a todas e todos que apoiaram decididamente os esforços para alcançar este #CessarFogoBilateral", escreveu a delegação negociadora do ELN no Twitter. Os negociadores de ambas as partes devem fazer o anúncio oficial do cessar-fogo às 11 horas (13 horas, em Brasília) desta segunda-feira.

Pouco depois, presidente colombiano, Juan Manuel Santos, confirmou a notícia e disse estar satisfeito com este passo das negociações. Ele também informou que, inicialmente, o acordo valerá de 1º de outubro até 12 de janeiro.

Santos reforçou que ao chegar na Colômbia, na quarta-feira, Francisco encontrará um novo país onde os conflitos terminam e as armas são transformadas em monumentos. "O papa chegará em um momento único da nossa história, quando viramos as páginas dos conflitos", disse o presidente.

"(Ele) veio nos convidar para que entre todos, déssemos o primeiro passo em direção à reconciliação. Atendemos seu chamado de união, para deixarmos os prejuízos e rancores para trás e construirmos entre todos um país melhor", completou Santos.

Em um editorial publicado em seu site, a guerrilha afirmou que o cessar-fogo corresponde em parte à visita do pontífice, que apoiou o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que agora se transformaram em um partido político.

 

 

"Dissemos que a visita do papa Francisco deveria ser uma motivação extra para acelerar a busca de acordos, que têm como principais destinatários as comunidades que padecem das consequências lamentáveis do conflito", assinala o ELN.

"Passados os dias de celebração pela presença de Francisco na Colômbia, seguiremos empenhados em avançar para da desescalada do conflito, até que a paz completa seja uma realidade", acrescenta o grupo.

O cessar-fogo foi acertado durante o terceiro ciclo de negociações de paz que o governo colombiano e a guerrilha mantêm no Equador desde fevereiro. A rodada deveria ter sido concluída na sexta, mas foi estendida em duas ocasiões até segunda com o avanço das negociações.

De acordo com a RCN Radio, para chegar ao acordo o governo exigiu que o ELN interrompa imediatamente todas as formas de violência contra a população civil, os atentados contra a infraestrutura e oleodutos, o recrutamento de menores e a colocação de minas antipessoal.

Por sua parte, Bogotá teria garantido aos guerrilheiros a suspensão de todas as ações militares contra o ELN, assim como a investigação de assassinatos de líderes sociais. O governo também deve atuar de forma mais contundente contra grupos ilegais em regiões vulneráveis e elaborar um plano humanitário para melhorar as condições dos membros do ELN que estão em prisões do país.  / AFP e EFE

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