Colômbia e ELN anunciam início de negociações de paz

O governo colombiano e o segundo maior grupo guerrilheiro do país concordaram nesta quinta-feira (26) em formalizar o início das negociações de paz para resolver as profundas diferenças entre os dois lados. As conversas estão sendo realizadas em Havana. O representante do governo colombiano e o chefe do Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciaram terem terminado a fase exploratória das discussões e concordaram em "estabelecer formalmente" as conversas voltadas para chegar a um acordo de paz."Estamos entrando em um momento muito delicado e interessante, de muitas oportunidades, mas também bastante vulnerável", disse o Comissário de Paz do governo colombiano, Luis Carlos Restrepo, durante coletiva na periferia de Havana, onde as reuniões estão sendo realizadas.Restrepo e o líder da ELN Antônio Garcia disseram que concordaram em trabalhar para a criação de um ambiente pacífico para que as conversas de paz sejam bem sucedidas. Eles também se comprometeram em incorporar membros independentes da sociedade civil colombiana ao processo.Eles esperam reiniciar as negociações de Havana no final de novembro ou início de dezembro, com o objetivo de conseguir consenso para a criação de uma agenda formal. Ambos os lados destacaram, no entanto, que ainda existem muitos obstáculos a serem transpostos."Nós ainda precisamos decidir que tipo de conflito queremos resolver", disse Garcia, cujo grupo não aceita o rótulo de "terrorista" imposto pelo governo ao ELN. O representante da guerrilha classificou o ELN como "um grupo armado, político e social". O governo, entretanto, não concorda com a classificação.Garcia explicou que a anistia a prisioneiros - tanto rebeldes do ELN, quanto ativistas sociais e líderes sindicais - é uma das principais demandas de seu grupo. A prioridade do governo, por sua vez, é alcançar um acordo de cessar-fogo - sem o qual não é possível estabelecer um processo de paz, destacou Restrepo. O ELN combate o governo desde de 1960. Suas forças foram reduzidas para menos de 2 mil combatentes após uma ofensiva militar do presidente Álvaro Uribe e devido a decisão do grupo de se manter fora do lucrativo tráfico de drogas colombiano.As conversas de paz com a maior e mais antiga guerrilha do continente americano, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), têm sido mais evasivas. Na semana passada, Uribe retirou sua proposta para uma negociação para a troca de guerrilheiros presos pelo governo por seqüestrados da guerrilha. A decisão veio após um atentado a bomba em Bogotá atribuído às Farc pelo governo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.