Colômbia e ELN resolvem entrave e devem começar diálogo

O governo da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional (ELN), a segunda maior guerrilha do país, devem dar início na segunda-feira a uma nova rodada de negociações de paz em Cuba, que havia sido adiada por "problemas logísticos", disse o bispo colombiano Leonardo Gómez. A reunião, que é a sexta tentativa em pouco mais de um ano de lançar um processo formal de paz, estava marcada para quinta-feira, mas atrasou porque o chefe da delegação da guerrilha, comandante Pablo Beltrán, não conseguiu viajar desde a Venezuela. "O problema ... vai ser solucionado com a oferta do governo colombiano de enviar um avião para ele", disse na noite de quinta-feira o bispo, que está em Havana para ajudar no diálogo. Uma fonte do governo colombiano disse que os trâmites para o traslado do comandante guerrilheiro estavam em andamento, mas afirmou que a data do início das conversas ainda não está definida. "Oficialmente ainda não há nada. Temos que esperar que ele chegue", disse. As negociações foram destravadas na noite de quinta-feira em Havana, durante uma reunião entre o enviado presidencial colombiano, Luis Carlos Restrepo, e representantes do ELN, com a mediação de Gómez e de outros bispos. "Temos de reconhecer que tem havido dificuldades, mas creio que agora ... a coisa vai ser muito mais positiva", afirmou Gómez, que é bispo da cidade colombiana de Mangangué. O governo colombiano exige que o ELN entregue suas armas, declare um cessar-fogo e libere seus reféns, para que só então o processo de paz seja iniciado. Mas os guerrilheiros dizem que, antes de se desarmar, querem uma discussão nacional sobre a agenda do processo de paz. Segundo o bispo, o comandante Beltrán havia embarcado na terça-feira num avião para ir de Caracas a Havana, mas as autoridades venezuelanas o fizeram sair do avião por problemas de documentação. As quatro primeiras sessões de negociação haviam sido conduzidas pelo chefe militar do ELN, o comandante Antonio García. O ELN, criado em 1964 por padres radicais e estudantes inspirados no triunfo da revolução cubana, tem hoje cerca de 5 mil combatentes armados. O governo e o ELN tentam desde dezembro de 2005 chegar a um acordo, com a mediação de Cuba. O representante do governo e Beltrán reuniram-se em março com o Prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez e também com o presidente interino de Cuba, Raúl Castro.

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