Colômbia e Equador restabelecem vínculos

Após 3 meses, relações são retomadas parcialmente, em nível de encarregados de negócios

Efe, Ap, Afp e Reuters, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

A Colômbia e o Equador concordaram em restabelecer vínculos diplomáticos em nível de encarregados de negócios ontem. As relações entre os dois países estavam rompidas desde março, quando a Colômbia bombardeou um acampamento do grupo rebelde Farc no Equador para matar o líder guerrilheiro Raúl Reyes. Dois dias depois, o embaixador colombiano foi expulso do Equador. O anúncio de que ambos deram os primeiros passos para restabelecer relações diplomáticas plenas foi feito pelo Centro Carter, organização fundada pelo ex-presidente americano Jimmy Carter, que estava intermediando o diálogo. "Em sua última comunicação telefônica, Carter consultou os dois presidentes sobre a possibilidade de restabelecer de imediato e sem precondições as relações diplomáticas entre ambos os governos, inicialmente em nível de encarregados de negócios", diz o comunicado da organização, que tem sede em Atlanta, nos EUA. "Hoje os dois presidentes confirmaram sua disposição em dar esse passo imediatamente por meio das respectivas chancelarias."A informação foi confirmada pelas duas chancelarias. O governo colombiano se disse disposto a retomar relações diplomáticas plenas prontamente. Quito, porém, afirmou que ainda levará algum tempo para enviar novamente seu embaixador para o país vizinho e receber de volta o representante de Bogotá. Segundo fontes da diplomacia colombiana, a Organização dos Estados Americanos (OEA) também contribuiu para a reaproximação. O ataque da Colômbia contra o acampamento das Farc no Equador foi considerado uma violação de soberania pela OEA. Num encontro da organização, no início da semana, Quito pediu que Bogotá lhe pague uma indenização pelos prejuízos causados pela incursão militar em seu território. Ontem, o chanceler colombiano, Fernando Araújo, afirmou que não haverá nenhum ressarcimento.VENEZUELANOS PRESOSAs autoridades colombianas anunciaram ontem a prisão de quatro pessoas, entre elas dois venezuelanos, em Puerto Nariño (perto da fronteira com a Venezuela), acusadas de negociar a venda de armas e munição para as Farc. "Elas foram presas em flagrante com 40 mil cartuchos para fuzil AK-47", disse o procurador-geral Mario Iguarán. Segundo ele, um dos venezuelanos disse ser membro da Guarda Nacional.Ainda ontem, outra guerrilha colombiana, o Exército de Libertação Nacional (ELN), pediu, num comunicado, que as Farc aceitem com "urgência" que os dois grupos discutam a "solidificação da unidade guerrilheira" e a "busca de uma saída política" para o conflito na Colômbia, "na qual o povo e a nação sejam os protagonistas".

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