EFE/ORLANDO BARRIA
EFE/ORLANDO BARRIA

Colômbia e Farc chegam a acordo sobre cessar-fogo bilateral e definitivo

Presidente Juan Manuel Santos e líder guerrilheiro Rodrigo Londoño, o Timochenko, devem assinar na quinta-feira, em Havana, acerto que prevê também a deposição de armas pelos guerrilheiros

O Estado de S. Paulo

22 Junho 2016 | 11h19

BOGOTÁ - O governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram nesta quarta-feira, 22, um a acordo para a implementação de um cessar-fogo bilateral e definitivo, que inclui um cronograma para que os guerrilheiros deponham suas armas e as garantias de segurança que eles terão por parte do governo. Esses temas integram do terceiro ponto da negociação iniciada em 2012, e estavam entre os mais complicados discutidos pelos dois lados.

Este novo passo deve ser o mais importante para acabar com o conflito de mais de 50 anos - que deixou mais de 220 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,9 milhões de desalojados - e será oficializado na quinta-feira, ao meio dia, em Havana, pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e pelo líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, o "Timochenko". 

"As delegações do governo e das Farc informam para a opinião pública que chegamos com êxito a um acordo para o cessar fogo e o fim das hostilidades de forma bilateral e definitiva", indicaram os negociadores em comunicado conjunto divulgado em Cuba. "Na quinta-feira, 23 de junho, anunciaremos o último dia da guerra", escreveu em sua conta no Twitter Carlos Antonio Lozada, um dos negociadores das Farc na capital cubana. 

O conteúdo do pacto será divulgado amanhã em Havana em um evento de alto nível liderado por Santos e Timochenko, além do presidente de Cuba, Raúl Castro, e do chanceler da Noruega, Borge Brende, os dois países garantidores do processo de paz colombiano.

Em representação das nações acompanhantes do processo, Chile e Venezuela, viajarão a Havana seus presidentes, Michelle Bachelet e Nicolás Maduro, respectivamente.

A cerimônia, que acontecerá no salão de protocolo do complexo de El Laguito, em Havana, terá como convidado especial o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que será acompanhado pelos presidentes do Conselho de Segurança e da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Também estarão presentes os presidentes da República Dominicana, Danilo Medina, em qualidade de responsável 'Pro tempore' da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), e de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén, assim como os enviados especiais de Estados Unidos e União Europeia (UE) no processo de paz, Bernie Aronson e o irlandês Eamon Gilmore, respectivamente. 

Nos últimos dias, as delegações das Farc e do governo colombiano em Havana aceleraram as negociações. Santos espera que até 20 de julho, dia da independência da Colômbia, os diálogos de paz estejam finalizados. Para a desmobilização das Farc, os negociadores discutem a criação de zonas de concentração para cerca de 7 mil guerrilheiros, cujo desarmamento será feito sob supervisão das Nações Unidas, como anunciaram os dois lados em janeiro.

Depois que o acordo com concluído, ele passará por um referendo no qual os colombianos poderão validá-lo ou não. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.