Colômbia entra em alerta máximo nos 40 anos das Farc

A Colômbia está em alerta máximo por causa do aniversário de 40 anos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Desde o final da tarde de quarta-feira, mais de 300 mil homens do Exército, Marinha, Aeronántica e Polícia estão de prontidão. O general Carlos Alberto Ospina, comandante das Forças Militares, disse ter informações sobre a possibilidade de ataques com bombas.No último final de semana, uma explosão em uma danceteria de Apartadó, em Antióquia, causou a morte de sete pessoas e feriu 80. A data está sendo comemorada na página das Farc na internet, que relembra a história do grupo e diz que as forças mantêm seu caráter revolucionário."Absurdo""Estão celebrando quatro décadas de fracasso", disse. "Eles não cumpriram nenhum de seus objetivos. Comemorar 40 anos de um movimento guerrilheiro é um absurdo". A mesma opinião tem o presidente Álvaro Uribe. Seu pai foi morto pelas Farc, consideradas por ele uma organização terrorista. "Apoiados pela maioria dos colombianos, decidimos acabar com os terroristas", afirmou Uribe. "Vamos derrotá-los nas ruas, nas estradas e também nas selvas, onde eles instalaram sua retaguarda estratégica". Na avaliação do analista militar Alfredo Rangel, a tarefa não é tão simples. "É uma guerrilha muito poderosa. Tem 18 mil homens armados, mais do que o Exército de um país pequeno", diz Rangel. "Ela dispõe de fuzis, metralhadoras, pistolas e desenvolve uma indústria militar própria".TráficoConforme o analista, o poder das Farc é evidenciado a partir dos anos 80, quando começaram a cobrar impostos dos traficantes de cocaína. Atualmente, além da droga, a organização vive do dinheiro ganho com seqüestros e extorsões, agindo exatamente como uma máfia. O lucro deles é, em média, um milhão de dólares diários.O analista político Antonio Sanguino diz que, apesar da força que tem no campo, a guerrilha perdeu a simpatia da população urbana. "As Farc estão desconectadas dos movimentos sociais, característica marcante dos grupos guerrilheiros dos anos 60, 70 e 80", afirma Sanguino. "Estão cada vez mais articuladas a estruturas ilegais da delinqüência comum".O historiador e jornalista Arturo Alape, autor de duas biografias sobre Marulanda, diz que, além do poderio econômico, há outras razões para a vitalidade do grupo. "Lamentavelmente, nossa geografia é muito propícia para a manutenção deste tipo de grupo", diz Alape. "Eles podem se esconder nas montanhas e nas selvas com toda a tranqüilidade".É também nestes lugares que se encontram as vítimas da guerrilha. Segundo dados oficiais, dos cerca de três mil seqüestros anuais que ocorrem na Colômbia, as Farc são responsáveis por mais de 30%. No cativeiro, encontram-se policiais, militares, políticos, civis colombianos e estrangeiros. Entre eles, está a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada há mais de dois anos.Além das Forças Armadas, as Farc também são combatidas pelas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), grupo paramilitar de direita surgido nos anos 80.

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