AP Photo/Fernando Vergara
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Colômbia entra em alerta máximo para exercícios militares da Venezuela

Governo promete não entrar na 'histeria' do chavismo e diz que Maduro tenta ganhar apoio internamente; presidente venezuelano anuncia envio de 150 mil militares para manobras

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2019 | 16h46
Atualizado 10 de setembro de 2019 | 22h24

BOGOTÁ - O governo da Colômbia entrou nesta terça-feira, 10, em alerta máximo em consequência dos exercícios militares que a Venezuela começará a realizar na fronteira entre os dois países na quarta-feira, 11. Na noite desta terça-feira, a Venezuela informou que mobilizará cerca de 150 mil homens para as manobras militares. 

O alerta da Colômbia foi anunciado pelo conselheiro de Direitos Humanos e Assuntos Internacionais da presidência, Francisco Barbosa. Segundo ele, Bogotá não entrará na "histeria" do chavismo que, segundo ele faz esse tipo de anúncio militar sempre que precisa ganhar apoio internamente.

O conselheiro do presidente Iván  Duque disse hoje que o governo da Colômbia está monitorando com atenção o que está ocorrendo na fronteira, mas frisou que seu país resolve os problemas que têm com os vizinhos com diplomacia e multilateralismo.

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O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, determinou a realização dos exercícios militares na semana passada. Na ocasião, o líder chavista afirmou que mandaria instalar sistema de mísseis na fronteira com a Colômbia. 

Em um ato transmitido pela TV estatal, Maduro declarou na noite desta terça-feira que "hoje começou a mobilização de toda a força terrestre, de mísseis, antiaérea (...) para deixar tudo pronto para defender nosso  território". "Nós não ameaçamos ninguém", destacou Maduro, assegurando que a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) tem "um conceito eminentemente defensivo", mas "sem renunciar à ofensiva jamais".

Após o anúncio da semana passada,  Duque, afirmou que Maduro deve deixar as bravatas de lado e se preocupar em alimentar a população venezuelana. Além disso, Barbosa lembrou que Duque denunciará na Assembleia-Geral da ONU, que será realizada no fim deste mês, que Maduro dá proteção a grupos armados ilegais, como o Exército de Libertação Nacional (ELN). 

Maduro acusa Colômbia sem provas

Na madrugada desta terça-feira, Maduro voltou a acusar a Colômbia de espionagem sem apresentar provas.  

"Nos últimos três meses tentaram, a partir da Inteligência do governo colombiano, cooptar suboficiais e oficiais venezuelanos para afetar nosso sistema de radares, sistema de defesa aérea e seus aviões, sistema de defesa antiaérea e o sistema de mísseis", afirmou Maduro 

"Felizmente, os serviços de inteligência e o moral entre os nossos soldados pode deter e afastar estas pretensões de penetrar a capacidade de defesa da Venezuela", acrescentou Maduro, após reunir o gabinete e o alto comando militar.

Duque acusa chavistas de abrigar guerrilheiros

No fim de agosto, Duque acusou o governo Maduro de "abrigar" e "apoiar" dissidentes da extinta guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A Força Armada venezuelana iniciará manobras militares na fronteira com a Colômbia, por ordem direta de Maduro. Segundo Maduro, todos os chefes militares participarão das manobras.

Tratado de Defesa na OEA

Na noite de segunda-feira, o Departamento americano de Estado informou que os EUA e outros países da região invocarão o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) de defesa diante da crise na Venezuela.

"Onze países, incluindo os Estados Unidos e o governo interino de Juan Guaidó estão pedindo a invocação do Tratado do Rio para confrontar a crise que Maduro provocou". 

O Tiar é um acordo regional de defesa militar mútua que fornece base legal para eventual intervenção externa. O acordo é integrado por Brasil, Argentina, Bahamas, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Trinidad e Tobago, Uruguai e Cuba. /AFP e EFE

 

 

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