Colômbia exporta know-how em segurança

Com redução de violência no país, empresas vendem blindados e roupas à prova de balas no exterior

Chris Kraul, Los Angeles Times, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2005 | 00h00

Bogotá - Segurança é um grande negócio na Colômbia, onde quatro décadas de guerra civil produziram uma indústria doméstica de produtos e serviços cuja missão é manter seus clientes vivos. Empresas como a fabricante de carros blindados Blindex e a de roupas à prova de balas Miguel Caballero S.A., com sede em Bogotá, chegaram a ganhar renome internacional. Desde que o presidente Álvaro Uribe assumiu em 2002, os assassinatos e seqüestros diminuíram, reduzindo a demanda interna por itens de segurança, mas o crescimento das exportações está fazendo a diferença. E os EUA são um grande cliente.A segurança tornou-se uma indústria de US$ 100 milhões na Colômbia, onde as exportações respondem por cerca de metade da receita total, segundo a Superintendência para Vigilância e Segurança Privada, que regula o setor. A taxa anual de crescimento do setor é da ordem de 10%, segundo estatísticas do governo, e os segmentos que estão crescendo mais rapidamente são os de roupas à prova de balas e veículos blindados. Os serviços de consultoria de segurança por colombianos também têm crescido.A Blindex blinda 350 veículos utilitários esportivos por ano e vende a maioria deles ao governo americano para ser usada por soldados e funcionários públicos no Iraque e no Afeganistão. Enquanto há cinco anos a maioria de suas vendas abastecia clientes colombianos preocupados com seqüestros, assaltos ou assassinatos, hoje a empresa exporta 70% de seus carros, por US$ 140 mil cada."A sorte sempre joga um papel e quando a guerra do Iraque começou, o governo americano logo foi pressionado pela demanda de produtos como os nossos", disse Laurent Fossaert, vice-presidente da Blindex. "Foram os americanos que nos procuraram." A empresa de Fossaert é uma das quatro mundiais cujo trabalho de blindagem é aceito pelos departamentos de Estado e de Defesa dos EUA. Especialistas em segurança do governo americano fazem visitas regulares às fábricas da Blindex em Bogotá e Barranquilla para rever requisitos de segurança. A Blindex diz que a chave para a durabilidade de seus carros não é o material, que inclui aço de alta qualidade, mas o projeto, aperfeiçoado em quase três décadas de tentativas e erros no ambiente de alto risco da Colômbia."A Colômbia é o nosso laboratório", disse Fossaert. Mas o Iraque e o Afeganistão estão colocando desafios enormes porque as armas dos insurgentes estão cada vez mais sofisticadas, disse. Os carros da Blindex se mostraram capazes de suportar explosões de bombas caseiras, a principal causa de morte de soldados no Iraque. No entanto, Fossaert reconhece que a empresa ainda não sabe o que fazer contra as novas bombas que estão sendo usadas. Elas são feitas com um revestimento de cobre que, com a explosão, transforma-se em projéteis de cobre derretido em alta velocidade que conseguem furar a blindagem de tanques pesados.O crime também tem sido bom para a Caballero, que fabrica uma ampla linha de roupas militares, policiais e civis capazes de conter balas. Os clientes da companhia incluem o príncipe Felipe da Espanha, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o rei Abdullah II, da Jordânia. A Caballero usa um fio patenteado de náilon e poliéster para fazer tecidos capazes de parar uma bala calibre 38. A OPERAÇÃO>>30 mil policiais e soldados foram deslocados para combater o narcotráfico no México>>282 chefes da polícia foram afastados, numa tentativa de romper as redes de cooperação com os cartéis da droga>>63 traficantes foram extraditados nos primeiros 6 meses deste ano* Tradução de Celso Mauro Paciornik

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