REUTERS/Jaime Saldarriaga
REUTERS/Jaime Saldarriaga

Colômbia impõe travas à entrada de novos refugiados venezuelanos

Segundo o presidente Juan Manuel Santos, 2,1 mil militares serão enviados para patrulhar a fronteira entre os dois países, que tem 2,2 mil quilômetros

O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2018 | 17h17

CÚCUTA, COLÔMBIA -  O governo da Colômbia decidiu aumentar o controle de migração e segurança na fronteira com a Venezuela diante do aumento no fluxo de imigrantes vindos do país vizinho nos últimos meses. 

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Segundo o presidente Juan Manuel Santos, 2,1 mil militares serão enviados para patrulhar a fronteira entre os dois países, que tem 2,2 mil quilômetros. “Os novos controles migratórios serão mais restritos”, anunciou Santos em um discurso na cidade de Cúcuta, na fronteira com o Estado venezuelano de Táchira. “ A entrada de venezuelanos tem de ser controlada, ordenada e dentro da legalidade.”

O presidente disse que tropas do Exército, Aeronáutica e Marinha serão deslocados para melhorar o controle sobre rotas irregulares de imigração e contrabando. Só serão permitidos na Colômbia venezuelanos com passaporte ou um cartão de imigração – uma medida limitadora, já que em virtude da crise financeira o país vizinho tem restringido até a emissão de documentos.

Além disso, o governo colombiano não expedirá novos cartões de imigração para venezuelanos. O documento foi criado para facilitar o trânsito de pessoas que vivem na fronteira e muitos venezuelanos contam com ele para vender bens em moeda forte do lado colombiano para fugir da inflação. 

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O Departamento de Imigração da Colômbia estima que 550 mil venezuelanos vivem no país de forma regular ou irregular. Esse número, estima a entidade, deve dobrar até o meio do ano. 

O governo tem feito campanhas para evitar a xenofobia contra venezuelanos e pediu ajuda internacional para lidar com a chegada de imigrantes. Em visita à Colômbia no mês passado, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, prometeu ajuda ao esforço humanitário de Bogotá. 

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, que esteve em Bogotá nesta semana, disse que o governo do país estuda realocar recursos destinados à ajuda humanitária na Venezuela para a Colômbia. Essa verba, ainda de acordo com ele, seria usada para receber os refugiados.

Em 2015, quando a crise venezuelana ainda tinha proporções menores que a atual, o presidente Nicolás Maduro determinou o fechamento da fronteira com o país vizinho após milhares de pessoas a atravessarem nos fins de semana em busca de alimentos e remédios em falta no país. 

O impasse durou meses e o chavista acusou o governo da Colômbia de facilitar o contrabando de combustível do lado venezuelano, onde a gasolina é subsidiada a valores praticamente gratuitos. A situação foi normalizada quase um ano depois, após um acordo entre os dois países./AFP

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