Colômbia instaura linha dura no exército

O presidente recém-empossado da Colômbia, Álvaro Uribe, anunciou a nomeação de uma nova cúpulamilitar que leve adiante sua política de linha dura contra os movimentos guerrilheiros. O novo comando estará a cargo do general Jorge Enrique de MoraRangel, um feroz crítico das frustradas negociações de paz entreo governo do ex-presidente Andrés Pastrana e a guerrilha ForçasArmadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que se arrastarampor três anos até serem rompidas em fevereiro. Mora Rangel, que era comandante do Exército, substituirá ogeneral Fernando Tapias no comando das Forças Militares. Tapiaspassará para a reserva por tempo de serviço. O comando do Exército será assumido pelo general CarlosOspina. Uribe decidiu manter em seus postos os chefes da ForçaAérea, brigadeiro Héctor Velasco, e da Marinha, almiranteMauricio Soto. A ministra da Defesa, Martha Lucía Ramírez, informou que nodecorrer da semana Uribe anunciará suas decisões sobre possíveismudanças no comando da Polícia Nacional e no DepartamentoAdministrativo de Segurança (DAS, serviço secreto) - atualmenteliderados, respectivamente por Luis Gilibert e GermánJaramillo. Também deverão ser designados os comandantes de de divisões ebatalhões militares espalhados pelo país. Em seu esforço para pôr fim a quase quatro décadas de guerracivil no país, Uribe pretende aumentar os gastos de Defesa em umterço, reforçar o contingente militar com 100 mil voluntários asoldo e criar uma rede de informantes civis formada por 1 milhãode pessoas - um plano que tem sido pesadamente criticado porgrupos de defesa dos direitos humanos. De acordo com estimativas divulgadas hoje, cerca de 100pessoas já morreram na Colômbia em apenas quatro dias do mandatode Uribe. Na quarta-feira, no momento em que o presidente tomava posse,as Farc lançaram ataques com mísseis caseiros - fabricados combotijões de gás - das proximidades do palácio do governo, emBogotá, causando a morte de 21 civis. Na sexta-feira, pelo menos 20 paramilitares de direitamorreram em choques com soldados do Exército na região deSegovia, 560 quilômetros ao norte de Bogotá, segundo anunciouhoje o comandante da 2ª Divisão do Exército, general MartínCarreño. Os "páras" são grupos armados que atacam guerrilheiros ematam seus colaboradores no interior do país. Estima-se em mais de 30 mil o número de mortos na guerra civilcolombiana, iniciada há 38 anos. Os combates forçam maciçosêxodos de refugiados internos no país, segundo dados do AltoComissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

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