Colômbia já é capaz de derrotar as Farc, diz vice

Há uma mudança substancial no cenário de equilíbrio de forças entre as Farc e o Exército colombiano, que caracteriza o impasse militar de quatro décadas de conflito na Colômbia, afirmou nesta segunda-feira ao Estado o vice-presidente colombiano, Francisco Santos Calderón, que está no Brasil para uma série de encontros com empresários brasileiros dispostos a investir no país. "A capacidade das Forças Militares melhorou a ponto de o Estado colombiano estar pronto para derrotar a guerrilha. Ou a fragilizá-la a ponto de forçá-la a um diálogo de paz justo e sério, sem que ela imponha suas condições absurdas", disse Santos. "Há cinco anos, regiões inteiras do país estavam nas mãos das Farc e, com a abertura da área desmilitarizada (42 mil km² no sul do país, que serviriam como sede de negociações de paz, entre 1999 e 2002), não seria exagero pensar que a guerrilha esteve a ponto de reunir capacidade militar para tomar o poder. Hoje a situação é outra. Com a melhora no equipamento e no treinamento das Forças Militares, as Farc estão acuadas e limitam-se a defender-se. Sua capacidade de causar danos ao povo colombiano foi reduzida."Santos desmente que o descontentamento dos militares levou o presidente Álvaro Uribe a voltar atrás no aceno de negociações com a guerrilha. "Os militares da Colômbia estão totalmente subordinados ao poder civil. É possível que, num quadro em que eles se sentem capazes de derrotar o inimigo, o anúncio de algumas concessões tenha desagradado a algum comandante. Mas não recebemos nenhuma manifestação, pública ou particular, de insatisfação."O vice-presidente ressaltou a importância do Plano Colômbia - a milionária cooperação antidroga com os EUA, iniciada em 2000 - no combate ao narcotráfico. "Sem o Plano Colômbia, provavelmente teríamos hoje cerca de 250.000 hectares de cultivo de folha de coca, em lugar dos 85.000 que temos, e é provável também que teríamos muito mais cocaína circulando pelas ruas de Nova York, Londres ou São Paulo, a um preço muito mais baixo", ressaltou.Santos lembrou ainda que a política de mão-de-ferro contra a criminalidade de Uribe - aliada ao diálogo de paz com os paramilitares (de direita) - tem sido "visivelmente bem-sucedida". "Em quatro anos, reduzimos em 10 mil o número de homicídios em todo o país", disse. "A Colômbia hoje é um país seguro para o investimento estrangeiro, com um mercado de 41 milhões de consumidores, inflação estabilizada, situação fiscal estabilizada, crescimento de entre 6 e 7% nos últimos anos, uma boa reserva energética e mão-de-obra qualificada", enumerou Santos. "Se não tivéssemos o problema da guerrilha, cresceríamos 1 ou 2% a mais a cada ano."

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