Colômbia leva à ONU ameaças de guerra de Chávez

Ante as constantes ameaças do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o governo colombiano decidiu ontem apresentar ao Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) uma reclamação. O documento de Bogotá sustenta que o líder venezuelano ameaçou a Colômbia com o uso da força.

AE-AP, Agencia Estado

12 Novembro 2009 | 11h33

Um comunicado emitido pela chancelaria colombiana informa que a representante diplomática do país na ONU, Claudia Blum, entregou ao presidente do CS, Thomas Mayr-Harting, uma nota apontando "as ameaças da Venezuela de uso da força contra a Colômbia e outros aspectos sensíveis". O documento pede que seu conteúdo seja divulgado "para todos os Estados-membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas".

A reação colombiana ocorreu por uma declaração de Chávez no domingo. O venezuelano disse: "Não percamos um dia nossa missão principal: preparar-nos para a guerra e ajudar o povo a se preparar para a guerra, porque é responsabilidade de todos." Na terça-feira, Chávez minimizou suas afirmações, argumentando que se baseara em um ditado segundo o qual "se queres a paz, prepara-te para a guerra". Segundo ele, tomar essas declarações como um discurso em prol da guerra seria "cinismo".

Congressistas colombianos demonstraram ontem satisfação pelas novas declarações do presidente venezuelano. Segundo eles, trata-se de uma boa mensagem de retificação. "Essa manifestação do sr. Chávez é uma boa mensagem para que se reúnam o mais rápido possível os delegados diplomáticos de ambos países", afirmou o senador Jaime Dussán, do Polo Democrático, partido oposicionista. Membros da situação também viram com bons olhos a declaração do líder vizinho.

Chávez é o principal crítico do acordo entre Bogotá e Washington que amplia a presença de tropas norte-americanas em sete bases militares do país latino. O governo colombiano afirma que esses soldados apenas auxiliarão no combate a guerrilheiros, como os membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Já Chávez denuncia o risco de ações em países da região.

Fronteira

O governador do Estado de Táchira, no oeste venezuelano, César Pérez, disse que a administração do presidente Chávez faz pouco caso de rebeldes colombianos que cruzam a fronteira. Segundo Pérez, o governo central ignora os guerrilheiros de esquerda, enquanto persegue apenas os membros de milícias de direita. "As guerrilhas estão lá com a bênção do governo e os militares têm ordens para deixá-las em paz", afirmou. "O governo apenas enfrenta os paramilitares, e eu acho bom que os enfrente, mas o governo deve fazer o mesmo com as guerrilhas, e não o faz."

Chávez nega que ajude rebeldes colombianos, afirmando que permanece neutro no conflito interno do vizinho. O presidente afirma que há ordens para os militares confrontarem qualquer grupo ilegal que invada o território. Colômbia e Venezuela compartilham uma fronteira de 2.300 quilômetros. Os rebeldes colombianos há anos usam o território venezuelano para buscar suprimentos e tratar os feridos.

Pérez disse que a polícia estadual é incapaz de confrontar os grupos ilegais. Isso ocorre pois o governo federal confiscou seus rifles, deixando os 2.700 agentes estaduais apenas com revólveres calibre 38. "Quase metade dos policiais não tem nem revólveres."

Violência

Houve vários episódios de violência em Táchira nas últimas semanas. Na passada, dois guardas fronteiriços venezuelanos foram mortos a tiros por homens armados em motocicletas. No mês passado, dez pessoas foram presas no Estado por suposto envolvimento com paramilitares. Também em outubro, foram encontrados 11 homens mortos a tiros, nove deles colombianos. O grupo havia sido capturado enquanto disputava uma partida amadora de futebol.

O governo Chávez anunciou na semana passada que enviará reforços para a área. Pérez, porém, disse que não notou diferença até o momento. Ontem, o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, sugeriu que Colômbia e Venezuela firmem um pacto de não-agressão. Garcia disse ainda que o Brasil poderia ajudar a patrulhar a fronteira dessas nações com sua Força Aérea.

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