Luiz Acosta/France Presse-27/06/2001
Luiz Acosta/France Presse-27/06/2001
REUTERS, AP, AFP e EFE, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

O chefe militar da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Jorge Briceño, conhecido como "Mono Jojoy", foi morto na quarta-feira à noite em um bombardeio contra um acampamento do grupo rebelde na região de Macarena, no Departamento de Meta, informou ontem o ministro da Defesa, Rodrigo Rivera. A ação foi considerada pelo governo o principal golpe contra a guerrilha na história.

A morte de um dos comandantes das Farc, e um dos líderes considerados mais radicais e sanguinários, pode acelerar o desmantelamento do grupo rebelde mais antigo do continente e forçá-lo a buscar um diálogo de paz, disseram analistas ontem.

O corpo de Briceño foi encontrado nas primeiras horas de ontem, após bombardeios e combates em terra. Na ofensiva batizada de "Operação Sodoma", mais de 700 soldados e agentes das forças de segurança, apoiados por 27 helicópteros e 72 aviões, atacaram o acampamento das Farc que, segundo o ministro da Defesa, tinha cerca de 300 metros de extensão, com um bunker de concreto e múltiplos túneis. No local estavam entre 600 e mil guerrilheiros.

Pelo menos 20 rebeldes foram mortos e 5 militares ficaram feridos. Os militares exaltaram o sucesso da operação, dizendo que a única baixa foi a de um cão usado no ataque. Segundo a imprensa local, entre os mortos estaria Henry Castellanos Garzón, conhecido como "Romaña", também membro da cúpula das Farc. As Forças Armadas haviam intensificado desde o início do ano a busca de Briceño e de Alfonso Cano, o líder máximo das Farc, que, segundo se supõe, estaria na região sul da Colômbia. Cano assumiu a direção do grupo após a morte do histórico fundador, Manuel Marulanda, ou "Tirofijo".

 

 

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De acordo com o jornal colombiano El Tiempo, as forças de segurança seguiam o rastro de Briceño com base em informações passadas por guerrilheiros desertores - que receberão parte dos US$ 2,7 milhões oferecidos por ele. Antes do ataque, os militares estimavam que a possibilidade de prendê-lo ou matá-lo "era de 90%".

Briceño tinha ao menos 62 ordens de captura contra ele pela Justiça colombiana por delitos como homicídio, sequestro e terrorismo. Também havia um pedido de extradição por narcotráfico para os EUA.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Charles Luoma Overstreets, afirmou ontem que a morte de Briceño "representa uma importante vitória para a Colômbia e um duro golpe contra a maior organização terrorista do hemisfério". Desde 2000, os EUA apoiam com cerca de US$ 7 bilhões o Plano Colômbia de combate ao narcotráfico e aos grupos armados.

A morte de Briceño é a mais recente e importante de uma série de baixas de comandantes das Farc desde 2000, quando o ex-presidente Álvaro Uribe declarou guerra aos rebeldes. Milhares de combatentes desertaram desde então, o que reduziu as forças rebeldes de 17 mil para 8 mil homens, segundo as forças de segurança. Apesar de estarem debilitadas, as Farc lançaram uma onda de ataques nas últimas semanas, que deixaram mais de 30 soldados e policiais mortos. O contra-ataque das forças de segurança matou mais de 50 guerrilheiros.

De acordo com o ministro da Defesa, a Operação Sodoma foi planejada sob a liderança do presidente Juan Manuel Santos, que vinha recebendo detalhes desde segunda-feira. Rivera destacou o trabalho de inteligência prévio ao ataque.

A ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, que foi refém das Farc por mais de seis anos, até 2008, disse que a morte de "Mono Jojoy" traz esperança à Colômbia, mas que não há certeza de que ela representa o ocaso das Farc. Outros ex-reféns da guerrilha também saudaram a operação. "Hoje estou respirando um ar diferente, um ar de paz", disse a ex-congressista Gloria Polanco, libertada também em 2008 após seis anos de cativeiro.

PARA LEMBRAR

Em 2001, o Exército colombiano prendeu o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Segundo Bogotá, ele vendia armas para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e recebia cocaína em troca. A sociedade entre Fernandinho e a guerrilha foi um casamento de ocasião. Em 1997, quando assumiu o comando da Frente 16 das Farc, Jorge Briceño, o "Mono Jojoy", incumbiu o guerrilheiro Negro Acacio - morto em 2007 - da compra de armas. No mesmo ano, Fernandinho havia fugido da prisão no Brasil e foi para o Paraguai, onde tinha acesso fácil a armamento pesado. Diante da oportunidade de negócio, o brasileiro se mudou para a Colômbia, onde estabeleceu sólida relação com as Farc.

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