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Colômbia mata mais dois líderes das Farc

Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, pede aceleração do diálogo de paz em meio ao aumento da tensão entre militares e guerrilheiros

O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2015 | 21h16

BOGOTÁ - Exército colombiano anunciou nesta terça-feira a morte de dois guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em um bombardeio a posições do grupo na fronteira com a Venezuela. Entre os mortos está Elías Tabaco, o “Libardo”, líder da Frente 28 da guerrilha. Em Oslo, na Noruega, o presidente Juan Manuel Santos defendeu a aceleração das negociações de paz em meio a um aumento da tensão entre militares e guerrilheiros. 

Por meio de nota, o Exército confirmou o ataque, ocorrido na segunda-feira, dias depois de as Farc terem matado cinco soldados em emboscadas a pontos de infraestrutura elétrica do sul da Colômbia. “Nossos militares conseguiram desferir um contundente golpe contra as Farc, matando o principal encarregado das finanças da Frente 28”, diz a nota.

A operação ocorreu no Departamento (Estado) de Arauca. Tabaco é apontado pelas autoridades colombianas como o responsável pela morte de um policial e tinha sido condenado a 9 anos de prisão. Uma outra guerrilheira foi presa na operação. 

“Era um terrorista importantíssimo. Estava por dentro da estrutura da guerrilha havia 18 anos”, disse o general Luis Danilo Murcia sobre a operação. “Tabaco também praticava extorsão contra transportadoras do setor petrolífero, especialmente no Departamento de Casanare.”

Ele participou ainda, nos últimos anos, da Frente 56 das Farc, a qual liderou. Ainda de acordo com o Exército, no momento do ataque, os guerrilheiros planejavam em conjunto com outros membros do grupo novos ataques contra alvos de infraestrutura no país.

Em visita à Escandinávia, Santos pediu pressa para alcançar um acordo definitivo com as Farc e criticou os últimos ataques da guerrilha. “Temos dito o tempo todo que não queremos um cessar-fogo bilateral antes do fim do processo de paz. Por isso, precisamos intensificar as negociações para alcançá-lo”, disse o presidente. “Sabemos muito bem que a solução militar para o caso da Colômbia e muitos outros conflitos não é a resposta.” 

O presidente colombiano ainda disse que a atual negociação com a guerrilha é mais bem-sucedida que as anteriores e nunca a Colômbia esteve tão perto de pôr fim à guerra civil, que já dura mais de 50 anos. De acordo com Santos, a mudança da correlação de forças com as Farc, possibilitada pelas sucessivas vitórias do Exército contra a guerrilha – que teve praticamente toda sua cúpula morta – e a transformação radical na relação com países vizinhos, especialmente Venezuela e Cuba, possibilitaram as negociações.

“Eu já disse diversas vezes que, em Havana, estamos silenciando as armas e construindo a paz na Colômbia. Os acordos sobre três dos cinco pontos em discussão são um feito histórico e a criação de uma comissão da verdade e uma fórmula justa de reparação às vítimas com um meio termo entre a paz e a admissão plena de responsabilidades é inevitável.”

Além de um acordo sobre a reparação às vítimas, falta um pacto sobre a deposição de armas. Mas pesquisas de opinião feitas na Colômbia têm demonstrado que o apoio às negociações caiu após os recentes ataques da guerrilha que mataram seis pessoas. Antes disso, o Exército também matou 28 guerrilheiros no começo do mês em uma operação na selva. / EFE e AFP

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