Colômbia mata número 2 das Farc

Raúl Reyes morre em ação no Equador; para Chávez, violação semelhante na Venezuela será ?motivo de guerra?

Ap, Afp e Reuters, O Estadao de S.Paulo

01 de março de 2008 | 00h00

Raúl Reyes, considerado o número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), foi morto ontem em território equatoriano perto da fronteira com o Estado colombiano de Putumayo, no sul do país, anunciou ontem o ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos."Em uma operação conjunta das forças militares e da polícia nacional, foi dado hoje (ontem) o golpe mais contundente contra esse grupo terrorista até o momento", afirmou o ministro. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou ontem que se o governo colombiano realizar uma operação semelhante na Venezuela, será "motivo de guerra"."A Força Aérea colombiana teve sempre em conta a ordem de não violar o espaço aéreo equatoriano", disse Santos. O ministro colombiano assegurou que o presidente Álvaro Uribe informou o presidente equatoriano, Rafael Correa, sobre a operação. Santos, porém, não esclareceu se a comunicação entre os dois foi feita antes ou depois do ataque.O ministro também informou que, após o bombardeio, forças colombianas entraram em território equatoriano para "neutralizar o inimigo e assegurar a área" até a chegada das autoridades do Equador.Reyes, um dos sete membros do secretariado (comando central) das Farc e considerado seu porta-voz internacional, foi morto depois que a Força Aérea e o Exército colombianos rastrearam sua localização ao interceptar uma ligação telefônica. A morte de Reyes, que até então era visto como provável sucessor do líder máximo das Farc, Pedro Antonio Marín - conhecido como Manuel Marulanda ou Tirofijo (Tiro Certeiro) -, marca o pior revés contra a guerrilha em quatro décadas de conflito.Segundo Santos, o comandante das Farc estava em um acampamento localizado a 1.800 metros da fronteira colombiana com o Equador. Em um ataque aéreo lançado desde a Colômbia, Reyes foi morto com outros 16 guerrilheiros. Na ação, também morreu 1 soldado colombiano.Além de Reyes, foi morto também o guerrilheiro Guillermo Enrique Torres, conhecido como Julián Conrado, um dos ideólogos e principais compositores das Farc. Torres entrou na guerrilha aos 29 anos, em 1983, e foi o responsável pela direção de um projeto cultural dentro das Farc para dar identidade à organização.Com 59 anos, Reyes, cujo nome verdadeiro era Luis Edgar Devia Silva, foi o principal negociador da guerrilha durante os frustrados diálogos de paz com o governo do presidente Andrés Pastrana (1998-2002). Ele foi o primeiro membro do secretariado das Farc a ser morto pelas Forças Armadas da Colômbia. O Departamento de Estado dos EUA havia oferecido uma recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem à sua prisão, assim como dos outros seis membros da cúpula do grupo.OFENSIVA INTENSAA morte de Reyes é o maior êxito de uma série recente de operações bem-sucedidas das Forças Armadas colombianas contra a guerrilha. No ano passado, outras ações similares causaram a morte dos chefes Tomás Medina Caracas, chamado de ?Negro Acácio?, e Martín Caballero. Com bilhões de dólares de ajuda de Washington por meio do Plano Colômbia, o governo Uribe conseguiu isolar o grupo em regiões remotas do país ao retomar o controle de áreas antes em seu poder.O golpe contra as Farc ocorre no momento em que o governo Uribe é pressionado a negociar com a guerrilha para conseguir a libertação de 40 reféns políticos. O grupo propõe trocar os seqüestrados - entre os quais a ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt - por 500 guerrilheiros presos em uma zona desmilitarizada do país. Ontem, o governo da Venezuela afirmou que a morte de Reyes foi "um duro golpe" ao processo de acordo humanitário na Colômbia.

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