Colômbia não produzirá 'gestos de guerra' contra a Venezuela

Uribe disse que destruição de pontes foi 'muito grave', mas evitará provocações.

BBC Brasil, BBC

20 Novembro 2009 | 22h57

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, afirmou nesta sexta-feira que seu governo "não produzirá gestos de guerra" contra a Venezuela, mesmo após a explosão de duas pontes por militares venezuelanos na fronteira entre os dois países.

Segundo Uribe, a destruição das duas pontes com dinamites foi "muito grave".

"Nossa luta contra o terrorismo é voltada à segurança. Nós não temos qualquer pretensão de ir contra a comunidade internacional, principalmente contra o povo irmão da Venezuela", disse Uribe em declarações à rádio privada RCN.

Na quinta-feira, o vice-presidente e ministro da Defesa venezuelano, Ramón Carrizález, confirmou a destruição de duas pontes na fronteira com a Colômbia, alegando que eram passagens ilegais utilizadas por narcotraficantes e contrabandistas.

O governo da Venezuela congelou as relações com a Colômbia no último mês de julho, em protesto contra o acordo militar entre Bogotá e Washington, que permitirá o uso de sete bases por militares americanos.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, considera que o acordo faz parte de uma ofensiva contra seu governo.

Cuidadoso

Na entrevista à RCN, Uribe afirmou que, apesar das restrições impostas por Caracas contra a Colômbia desde julho passado, o governo colombiano quer manter o comércio com a Venezuela, o segundo comprador dos produtos da Colômbia depois dos Estados Unidos.

O comércio e a fronteira entre a Colômbia e a Venezuela vêm sofrendo muitas alterações nas últimas semanas, entre elas, fechamentos intempestivos, protestos, deportações e a proibição de entrada de veículos.

Uribe foi muito cuidadoso na linguagem que utilizou durante a entrevista à RCN e disse que seu governo não quer cair em "provocações verbais", mas recorrer a organismos internacionais.

Essa é a política adotada pelo ministério das Relações Exteriores da Colômbia há algumas semanas, segundo afirmaram à BBC Mundo fontes do ministério.

"Não vamos cair na armadilha das enxurradas verbais", disse à BBC Mundo uma fonte da chancelaria.

A diplomacia colombiana está documentando todos os casos que considerada como uma violação da lei internacional por parte da Venezuela, para levá-los a diferentes instâncias.

Assim foi feito, por exemplo, na Organização Mundial do Comércio (OMC), onde registrou uma queixa pelas restrições adotadas em Caracas contra os produtos colombianos. Além dessa, o governo registrou uma queixa também na Organização das Nações Unidas (ONU) contra as declarações do presidente Hugo Chávez sobre um pedido para que a Venezuela se preparasse para a guerra, e fará também nestes organismos outra reclamação sobre a destruição das pontes.

OEA

No próximo dia 29 está prevista uma reunião de cúpula de chanceleres da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Quito, onde se discutirá as tensões entre Colômbia e Venezuela.

Ainda nesta sexta-feira, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, manifestou sua preocupação sobre a destruição das pontes por militares venezuelanos.

"Mais do que a intencionalidade das ações, o aumento da violência contribui para a instabilidade da região e cria possibilidade de incidentes maiores", disse.

Insulza pediu "máxima prudência" às duas partes e reforçou a necessidade de diálogo entre os dois países. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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