Juan Barreto/AFP
Juan Barreto/AFP

Colômbia não vacinará centenas de milhares de venezuelanos em situação irregular

Presidente colombiano diz não querer vizinhos cruzando a fronteira para se imunizar; medida é criticada do ponto de vista epidemiológico e ético

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2020 | 09h00

O governo colombiano anunciou nesta segunda-feira, 21, que excluirá de sua campanha de vacinação em massa contra a covid-19 os venezuelanos em situação irregular, que correspondem a 55% dos 1,7 milhão de pessoas dessa nacionalidade no país.

O presidente Iván Duque disse à Blu Radio que os venezuelanos no território colombiano só serão vacinados se tiverem nacionalidade colombiana ou se estiverem em dia com as leis de imigração.

“Quem não tem no momento a acreditação de cidadão colombiano e não tem seu status de imigração regularizado, é claro que não [será imunizado]”, afirmou o presidente.

Duque acrescentou que sem essas condições, o governo estaria "quase pedindo uma debandada; que todos cruzem a fronteira para tomar vacina".

Sem relações diplomáticas com o governo de Nicolás Maduro, o país acolhe a maior parte da população que deixou a Venezuela desde 2015 devido à severa crise econômica e social na decadente nação petrolífera.

Em outubro, havia pouco mais de 1,7 milhão de venezuelanos na Colômbia, segundo a autoridade migratória, que estima que 55% deles estariam "em condição irregular". No total, cinco milhões de venezuelanos saíram de seu país, de acordo com a ONU.

Em meio a uma maior velocidade de contágio, o presidente destacou que sua "prioridade" será a imunização dos colombianos.

Ele explicou que, no caso dos venezuelanos que estão regularmente no país, serão aplicados os mesmos critérios de vacinação dos nacionais, ou seja, conforme seu estado de risco.

O governo anunciou recentemente um programa de vacinação em massa a partir de fevereiro, após garantir o acesso a 40 milhões de doses para uma população de 50 milhões de habitantes. Entre as vacinas encomendadas estão as das farmacêuticas Pfizer e da AstraZeneca.

Após sua declaração sobre a população migrante, o presidente Duque recebeu críticas. "Não vacinar os venezuelanos é uma má ideia do ponto de vista epidemiológico. Mas é, acima de tudo, uma proposta antiética: exclui os mais vulneráveis e discrimina de forma quase ameaçadora um grupo de pessoas por causa de sua nacionalidade e status migratório", escreveu o ex-ministro da Saúde Alejandro Gaviria no Twitter.

A Colômbia é o terceiro país da América Latina com mais infecções (1,5 milhão) e o quarto em número de mortes (40.400).

As principais cidades da Colômbia anunciaram hoje restrições que afetam cerca de 15 milhões de pessoas, diante do aumento da velocidade de contágio do novo coronavírus com as proximidades das festas.

Bogotá, com quase oito milhões de habitantes e principal fonte de contágio, limitou o acesso das pessoas a todos os estabelecimentos e entidades de acordo com seu número de identificação, exceto quando se trata de serviços médicos ou funerários. Há medidas de siolamento também em Medellín, Cali e Barranquilla./AFP

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